Após 10 anos sem registro de visitas lá esta o Cerj no cume Duas Serpentes.

Por: Miriam Gerber

Data: 23/08/2025

 

O Daniel Rodriguez vem me solicitando que o acompanhe em montanhas que ele não fez e que sabe que eu já fiz, (mas na verdade depois de 10 anos não lembro mais nada). Ele tem uma lista, então decidimos abrir uma excursão para “Duas Serpentes” logo depois de ter reaberto juntos também a travessia do Vale dos Lúcios para o Vale dos Frades. Hora de aproveitar. Então ficou combinada para 23 de agosto.

 

Eu tinha feito ela com Cláudia Bessa e Berardi em 2003 pela atual fazenda Itaua, outro caminho, que hoje não é permitido passar, e com Waldecy Lucena em 2015, Valéria estava junto. Naquela ocasião dormimos no bosque, mesmo lugar onde nos dormimos na aula de acampamento de CBM. Consultei com Cláudia Bessa e Marcelo Vieira que já tinham feito a trilha para ver se sabiam alguma informação de outras investidas, mas não. Incluso o Marcelo quando foi, não tinha facão e me contou que abriu caminho se jogando acima dos bambus.

 

Se inscreveram: Fabio Xavier, Valéria Aquino, Daniel Borges e Adhemar Sette, do Light.

 

Para garantir o sucesso da empreitada decidimos ir preparados para bivacar na toca dos caçadores e dormir na sexta em Teresópolis. Saímos 6 da manhã de Teresópolis rumo à base das Torres de Bonsucesso, deixamos o carro no estacionamento que cobra R$ 20. As 7:30h começamos a caminhada carregando nossas mochilas cargueiras com comida e equipamento para dormir uma noite. Por volta das 9 h estávamos na toca dos caçadores, onde lanchamos e entocamos as cargueiras, pegamos as mochilas de ataque com água, lanche, os facões, 2 cordas de 30 m, primeiros socorros, etc. e partimos.

 

 

Seguimos a trilha da travessia para o Vale dos Frades, mas depois do rio seco, olhando o track log achamos que poderíamos começara a seguir uma linha para chegar aos costões. Tinha bastante bambu, então mãos à obra e fazer o caminho. Eu fui botar Clorin na garrafa e automaticamente, no lugar de botar a pílula na garrafa botei na boca e engolir, não deu ruim, apenas um pouco de azia. Quase meio-dia estávamos na base dos costões, felizes pensando que tinha passado o inferno dos bambus. Aproveitamos para almoçar e relaxar um pouco.

Alguém gritou da Torre central de Bonsucesso. Depois fomos saber que foi a turma do Mariozinho.

Começamos a subida aos costões. No início tinha uma subida bastante vertical, minha bota não segurava bem e tive que pedir corda, e assim fomos passando de costão em costão, já sem corda, com alguns bosques no meio. Seguimos o track log e as vezes passávamos por totens. Chegamos a ver um grampo que alguém colocou. Foi bem duro, não me lembrava que a caminhada é tão pesada.

 

 

O visual é maravilhoso, e quando vamos chegando ao cume começamos a ver a serra dos Órgãos do outro lado. As 15 h chegamos ao cume, o visual de 360 graus é magnífico. É uma montanha com 2.020 m. Ficamos olhando e dando o nome de cada uma delas, maravilhados.

No livro de cume tem uma subida da Cláudia Bessa em 2013, Marcelo Vieira em 2015 e depois a gente em 2015 e nada mais. Agora o nosso grupo em 2025. Não consigo acreditar que ficou 10 anos sem visitação.

Fizemos algumas fotos e começamos a volta, tentando não pegar noite. A descida foi boa seguindo a memória da subida e no final colocando corda para ajudar na descida, aproveitando o grampo e uma árvore. No finalzinho alguns acenderam as lanternas. Estávamos sedentos, porque o dia tinha sido quente e a água não foi suficiente.

Às 18 h chegamos de volta à toca dos caçadores, correndo para nos hidratar. Os dois Daniel preferiam seguir em frente e dormir numa cama, mas a maioria preferiu ficar e aproveitar a noite na montanha.

 

Valéria, Daniel Borges e eu montamos nossas redes e o resto estendeu as lonas, os isolantes, sacos de dormir embaixo do teto da toca.

Preparamos os nossos jantares, Fabio, Daniel Rodriguez, Valéria e eu comunitários e os outros dois individuais e jogamos conversa fora acompanhado por um vinho.

Fomos dormir 10 horas da noite, ouvindo os sons dos bichos, de longe uns cachorros de mato. As 6h já estávamos acordando preparando o café de manhã, levantamos acampamento e descemos até os carros, chegando às 10h, felizes pelo sucesso da nossa excursão e já imaginando qual será a próxima.