Há dois anos não abríamos prancheta para esta excursão e neste início de 2007 o JP me convocou para realizarmos esta jornada como parte da programação oficial de março do clube e ao mesmo tempo, servindo de preparação para mais uma “Serra Fina”. Tivemos mais de 20 sócios inscritos, mas, com as desistências, começamos a jornada com 13 intrépidos montanhistas, dos quais 3 nem estavam na prancheta, se inscreveram diretamente comigo via telefone.

O parque só abre às 08h, mas como 2 dos inscritos se atrasaram um pouco (nos avisaram por telefone que estariam quase chegando) só partimos da Praça Afonso Viseu a 358m de altitude às 08:10 desta bela manhã de verão. Passando pelo portão de entrada do Parque, logo pegamos o “Caminho da Cascatinha” chegando na primeira grande praça de estacionamento em frente ao Restaurante da Cascatinha Taunay, pegando imediatamente ao lado deste, a Trilha dos Brancos saindo desta na Estrada da Cascatinha já nas proximidades da Capela Mayrink passando pela frente da mesma pegando depois a Estrada da Princesa Imperial de onde na cota 428m entramos no “Caminho da Cova da Onça” e logo nos deparamos com um obstáculo extra no nosso caminho, a Ponte Pênsil da Cova da Onça sobre o Rio Humaitá está quebrada e naturalmente interditada; tivemos que colocar a corda que o JP trouxe após ter sido avisado pelo Mollica do estado da ponte e gastamos aí pelo menos uns 10 minutos para garantir a passagem segura, porém com direito a escorregões, do grupo.

Obstáculo vencido, nós prosseguimos até pegar o “Caminho do Morro das Pedras” e a seguir o “Caminho do Sertão” que nos leva finalmente até a base do nosso primeiro cume, eram aproximadamente 09:35 e tratamos logo de subir ao cume do Morro da Taquara (ou Pedra da Maria Antônia) de 811m, permanecendo pouco tempo ali, de 09:50h a 09:55h, pois não se vê muita coisa deste ponto. Partimos para o segundo cume, o dos Castelos da Taquara 757m que é mais interessante que o anterior e de onde se tem a vista de belas paisagens da zona oeste do Rio e de montanhas no horizonte e aí ficamos um pouco mais, das 10h até 10:20.

De volta aos trabalhos, passamos pelo Platô do Céu 731m, base da subida para o “Caminho do Morro da Cocanha”; e aí, com apenas aproximadamente 2 horas e meia de caminhada, já começamos a notar que alguns dos nossos guerreiros estão mais para integrantes do “Exército de Branca Leone” do que para aprendizes de Rambos. A subida para o cume do Pico do Cocanha (ou São Miguel) 976m é bem puxada e antes do primeiro terço da mesma, já tínhamos 4 retardatários, sendo dois em estado já deplorável, estes não irão muito longe não. Ficamos neste cume das 11h até 11:20 e o décimo terceiro elemento só chegou até nós com tempo para recuperar um pouco de fôlego que ele vem demonstrando não ter muito, antes de prosseguirmos a jornada.

Chegando ao Colo Cocanha x Papagaio 860m, e como eu previra antes, tivemos nossas 3 primeiras baixas; aqui cabe uma observação importante: algumas das inscrições só foram aceitas pela peculiaridade desta rota, aonde de tempos em tempos temos a possibilidade de fuga por trilhas bem balizadas e de fácil acesso levando a pontos bem conhecidos de todos, isto é, com risco praticamente nulo de alguém mais ou menos experiente se perder, caso contrário estas inscrições seriam cortadas previamente.

Aqui temos outra bela subida até o Pico do Papagaio 987m onde ficamos das 11:50 até por volta das 12:40, aproveitando para fazer um lanche reforçado, afinal de contas este é o horário que a grande maioria das pessoas costuma almoçar. Ao chegarmos neste cume, não ficamos nem um pouco admirados de aí encontrar o nosso querido Velho (Fernando Fajardo), sentadinho feito um Buda no cume de um dos blocos de pedras do local.

Deixando para trás o Papagaio, pegamos a Trilha da Serrilha, passando pela Pedra do Urubu 983m às 12:50 e logo após pelo Alto da Serrilha a 975m seguindo até o entroncamento com a Trilha do João Antônio. Descemos até o Pico do João Antônio (ou Pico da Coruja) 908m lá permanecendo pouco tempo, de 13:25 até 13:35 quando subimos de volta para a Trilha da Serrilha para agora descer até o entroncamento com o “Caminho do Bico do Papagaio” e a seguir o “Caminho do Pico da Tijuca”. Neste segundo entroncamento cruzamos com Júlio e Dex que voltavam de uma escalada; eles entraram no parque pouco antes de nós. Permanecemos +- 10 min neste ponto, onde tivemos as 2 últimas baixas, uma já estava previamente programada, porém a segunda foi completamente surpreendente; mas isso também acontece nas melhores famílias.

Retomamos a caminhada agora em direção ao Pico da Tijuca 1.021m onde estava muito quente e paramos das 14:55 até 15h, apenas o tempo necessário para beber algo e recompor o fôlego; e haja fôlego! Descemos e pegamos o “Caminho do Pico do Morro Tijuca Mirim” passando por aquele cume de 920m às 15:10; logo atrás do nosso grupo chegou uma turma de jovens que lotou o pequeno cume, tratamos de seguir nosso rumo e pouco tempo depois, atingimos na cota de 795m o Colo T. Mirim x A. Maior e nos desviamos para o “Caminho do Andaraí Maior”. Atingimos o cume do Andaraí Maior (ou Morro da Caveira ou Andaraí Grande) 861m às 15:35 e mais uma vez paramos apenas para reidratação e recomposição do fôlego, retomando às 15:40h nossa jornada, agora morro abaixo para pegar o “Caminho da Serrilha da Caveira”, passando pela ruína conhecida como “Caveira”, seguindo para a Estrada do Excelsior de onde pegamos o “Caminho do Anhanguera”. Chegamos no cume do Morro do Anhanguera (ou Morro do Excelsior) 695m, que agora está com sua vegetação quase totalmente recuperada às 16:15 partindo às 16:20 para não perder muito tempo.

Retomamos o “Caminho do Anhanguera” até atingir o entroncamento com o “Caminho da Pedra do Conde” e empreendemos mais uma subida, mas nesta, pelo menos temos a satisfação de saber que será o último grande desnível a vencer, pois o décimo terceiro cume é bem baixinho. Finalmente o décimo segundo cume o da Pedra do Conde 819m onde ficamos das 17:05 até 17:15 quando partimos em direção ao derradeiro cume desta já memorável jornada. Descemos o “Caminho da Pedra do Conde” até encontrar com o “Caminho Alto da Bandeira” e finalmente subir ao último cume do dia. Ficamos no Morro do Alto da Bandeira 565m das 17:45 até 17:50 onde juntando a água que restava com cada participante ao gelo do cantil do Éder, todos puderam partilhar os últimos goles de água geladinha, muito bom!

Agora falta pouco para considerar nosso dever cumprido, ou será comprido? Chegamos no “Playground da Capela Mayrink” 460m às 18h e de volta na Praça Afonso Viseu 18:10, portanto após exatas 10 horas de atividade, encerrando assim galhardamente mais uma bela excursão do nosso querido “CERJ”. No último grampo, neste caso o Postinho, reencontramos a Jana, o Velho, o Dex e o JP que calculando a hora que deveríamos terminar nossa empreitada, lá nos esperavam para a devida comemoração; êta turma boa essa!

José de Oliveira Barros