Excursão conjunta do CEM e do CERJ.
Rio de Janeiro, sexta-feira 13 de julho de 2007.
Na Rodoviária Novo Rio desembarquei para pegar o ônibus semileito da Útil que parte às 23h com destino a Belo Horizonte aonde o Xaxá resgatará o grupo amanhã pela manhã com um Micro ônibus para seguirmos com a galera do CEM e os Cerjenses Patrícia Rocha, Márcia Aranha, Carlos Alberto Carrozzino (Carrô), e Felipe Fonseca Fernandes de Medeiros (Buneco) que já estão em BH em direção a localidade de Lapinha aonde começará nossa travessia. Neste horário embarcaram além de mim os seguintes Cerjenses: Iara Aniboleti, Mônica Costa, Karina Mota, Telma Carvalho, Fátima Mota, Hércules, Marcelo Rousselet e Elias Ribeiro Junior (Bodão). A galera do CEM que nos acolherá nesta atividade será composta por: Gustavo Adolfo Carrozzino (Xaxá), André Luiz Ribeiro, Giselle Saraiva de Melo, João Paulo Nunes da Silva (Paulo), Mateus Jonas Inácio, João Paulo Cotta Peixoto (JP), Márcia Alexandre Malta, Carlos Alberto Dominick (Kamicad) e Denise Santiago Viana (Tia D); apenas para lembrar, o Xaxá além de fundador e atual presidente do CEM é sócio proprietário do CERJ.
Belo Horizonte, sábado 14 de julho de 2007.
Chegamos em BH às 05:30 e imediatamente avisei ao Carrô, pelo celular, que já estávamos na rodoviária esperando com ansiedade pelo início da tão esperada jornada; a hora marcada para a partida deste ponto era 06:30. Na hora combinada, todos os que embarcariam na rodoviária, menos um dos mineiros estavam a bordo do micro que nos levará até o Vilarejo da Lapinha, e este retardatário atrasou nossa partida em simplesmente 1 hora 15 minutos, tempo precioso que mais tarde viríamos a descobrir dolorosamente que nos faria muita falta. Superado este imprevisto, finalmente às 07:45 pudemos seguir viagem e no caminho pegamos os últimos 3 integrantes da excursão completando o total de 22 montanhistas.
Fizemos uma parada de uns 20 minutos numa padaria do caminho para o pessoal comer o tradicional pão de queijo e outras guloseimas mineiras e prosseguindo viagem, depois de sair do asfalto ainda enfrentamos uns 40km de estrada de terra até chegar finalmente na “Lapinha” por volta das 11:45 desta bela manhã invernal com céu claro e sol morninho. O Vilarejo está enfeitado, pois está rolando uma festa no local e no bar que paramos para as arrumações finais aproveitamos para saborear aquela cervejinha ao som excelente trilha musical de “Blues” que rolava no estabelecimento.
Iniciamos a caminhada 12:25 e uns dez minutos depois o grupo se dividiu em dois sendo que um composto de 9 montanhistas prosseguiu passando pela base do Pico da Lapinha ou Pico do Cruzeiro (Falso Breu) guiado pela Gisele tendo como participantes a Denise (Tia D), a Márcia Malta, o Kamicad, o JP, e o Paulo do CEM mais os Cerjenses Marcelo, Buneco e eu (Zé) enquanto o outro de 13 foi via Prainha (caminho tradicional) sendo guiado pelo Xaxá e assim composto: André e Mateus do CEM e dos Cerjenses Carrô, Bodão, Hércules, Iara, Marcia Aranha, Patrícia, Karina, Telma, Mônica e Fátima. Os dois grupos passam a trilhar a mesma rota a mais ou menos 2 horas de caminhada do nosso objetivo final deste primeiro dia; o terreno da Dona Maria onde nós acamparemos hoje.
Os dois grupos tiveram problemas com a o desempenho de um ou mais participantes, e no nosso os problemas começaram logo no início dos primeiros metros de subida; e haja subida para ser superada. Nosso grupo perdeu de 2 a 3 horas nessa brincadeira o que fez com que o outro chegasse na nossa frente ao objetivo final do dia, mas como diz o ditado: são os ossos do ofício, e no final das contas todos superaram suas limitações e certamente ao lerem este relato estarão muito felizes, pois são vencedores e por esforço próprio mereceram a vitória.
As trilhas daqui da Serra do Cipó não possuem marcação como as dos parques do Rio de Janeiro, aonde costumamos marcar o caminho com totens de pedras; e o que não falta por aqui são pedras, daí ser extremamente prudente, talvez seja melhor dizer imprescindível, o uso de GPS para a orientação mais precisa. Felizmente a turma do CEM tem o bichinho e a nossa guia domina perfeitamente a maquininha. Mesmo também tendo enfrentado problemas na progressão de alguns participantes, o outro grupo perdeu bem menos tempo do que o nosso, tanto que pelo que viemos a saber mais tarde, eles passaram pela primeira porteira do caminho comum aos dois trajetos uns ¾ de hora antes de nós, o que garantiu a eles, uma passagem ainda com luz do dia pela parte mais complicada de orientação para se manter na trilha certa. Eles chegaram na Dona Maria às 19:30, enquanto o nosso grupo só se viu livres das pesadas mochilas cargueiras por volta das 22:40h.
Agora vamos fazer uma continha bem simples. Os gajos passaram pela referida porteira aproximadamente 45 minutos antes de nós e conseguiram ultrapassar a parte de orientação mais complicada da trilha ainda com luz do dia; a, então é só voltar até a rodoviária e constatar que aqueles 75 minutos de atraso provocados por um dos participantes no início da jornada nos dariam ainda 30 minutos de luz do dia para vencer o trecho, tempo que sinceramente eu reputo que teria sido suficiente para evitarmos a maior parte do sufoco que passamos neste trecho. Nesta conta não computei o atraso resultante dos problemas enfrentados pela nossa participante na trilha, pois este é função direta da atividade e uma vez apresentado é normalmente absorvido e resolvido pelo grupo da melhor maneira possível, enquanto o outro é evitável e não tem nada a ver com a caminhada em si, mas pode causar, como aliás causou um tremendo impacto no desenrolar da atividade. Fiquemos alerta ao horário de início de atividades em ambientes de montanha.
Como já deu para perceber, chegamos na bendita porteira na encosta do penúltimo morro que temos que subir antes de descer para o vale onde fica a casa da Dona Maria, já sob o manto escuro da noite que cai muito rápido nesta estação do ano; e aí é que a porca começou a torcer o rabo! Felizmente para nós, nossa guia Giselle se mostrou extremamente competente tanto no manuseio do GPS quanto no controle dos ânimos do grupo e assim conseguiu nos levar ao objetivo final, sãos e salvos. O trecho entre a porteira e o cume do derradeiro morro é realmente intrincado e a trilha não é nada fácil de ser encontrada no escuro, mas depois de algumas marchas e contra marchas, acha e perde a trilha, finalmente às 22:40 chegamos no terreno da Dona Maria onde o restante da turma já estava instalada e alimentada, na verdade só quem ainda estava de pé eram Carrô pai e filho que tentavam insistentemente o contato via rádio com o nosso grupo.
Tratamos de nos instalar e quando o Xaxá iniciou a preparação do rango da galera já passava da meia noite; eu preferi ir dormir, afinal um dia sem comer não mata ninguém. Pela manhã vim a saber que a turma que esperou para jantar só foi se deitar depois das 2h da manhã, êta fome danada.
Tabuleiro, domingo 15 de julho de 2007.
Hoje não teve uma alvorada propriamente dita, cada um acordou por si e se levantou na hora que achou melhor sem nenhuma implicação negativa na programação do dia, pois afinal de contas hoje além de começarmos a jornada mais cedo também andaremos menos da metade do trajeto de ontem e além do mais, na maior parte do tempo estaremos descendo em direção a cachoeira e depois ao vilarejo do Tabuleiro.
Partimos da Dona Maria às 11:00h da matina e chegamos na região da Cachoeira às 12h, como temos bastante tempo disponível vai dar para curtir bastante este sitio. A cachoeira em si é um verdadeiro espetáculo, e os poços existentes no caminho de pedras, dentro do cânion, eles são simplesmente convidativos para um bom banho a que a bem da verdade ninguém resistiu àquelas verdadeiras piscinas de águas transparentes. Depois de muitas fotos e de recarregar as baterias com a energia desta água, finalmente às 14h retomamos nossa caminhada rumo ao final da jornada, e aí, descobrimos que os mineiros nos enganaram direitinho, disseram que hoje nós só teríamos descidas a enfrentar, mas agora descobrimos que temos que vencer outra subida daquelas!
Nesta arrancada final em direção ao vilarejo de Tabuleiro, aonde o micro ônibus irá nos resgatar por volta das 18h, levamos mais 3 horas e 20 minutos para vencer o trecho entre a cachoeira e o centro do vilarejo aonde chegamos finalmente às 17:20 e partimos direto para o último grampo, pois afinal ninguém é de ferro e certamente todos bem merecem esta comemoração com muitos beijos abraços e cervejinha pra quem gosta e refrigerantes para os demais.
A partida no Micro em direção à rodoviária de BH se deu às 18:20 e chegamos ao nosso destino em torno das 22:20, portanto com bastante antecedência em relação ao horário de partida do nosso ônibus para a viagem de retorno ao Rio de Janeiro que estava marcada para 23:30 num semileito da viação Cometa. Chegamos de volta na Rodoviária Novo Rio às 06h de segunda-feira 16 de julho de 2007, dando por encerrada assim mais uma venturosa excursão do CERJ que desta vez foi partilhada com os companheiros do CEM. O meu muito obrigado a todos.
José de Oliveira Barros