Fizemos enfim A SERRA FINA EM 2 DIAS AO INVERSO!
Amigos, segue um resumo da nossa aventura… Obrigado a todos que colaboraram e participaram! Desta e da anterior tentativa. Não conhecía alguém que tivesse feito toda ao inverso apesar de saber que muitos fizeram essa opção. Partimos da premissa que seria mais leve fazer em 2 dias do que em 4 e que o sentido inverso nos traria uma vantagem tática de caminhar o segmento mais longo sem fontes de água num momento mais descansado. Essas serão avaliações individuais ainda a serem realizadas. A estratégia era caminhar mais leve, com menos água, com menos tudo, em 2 dias. Obviamente, que a premissa era de que os caminhantes devem ter um ótimo preparo físico. Essas montanhas não são quaisquer montanhas.
Partimos a zero hora do sábado 01/09, para começar a trilha as 4h e pouco, desde o sítio do Pierre no sentido da Toca do Lobo. Fomos num grupo de 6, sendo que três já tinham feito a SF e a outra metade o fazia pela primeira vez. Dois que fizeram a SF pela primeira vez são bikers que sobem até a Mesa do Imperador em 25 minutos e esse esporte dá uma musculatura que os faziam sempre estar na frente de todos nas ascensões. (bike é um bom treino para o montanhismo, galera!).
Mal dormimos na ida, mas queríamos garantir os 4km iniciais, o trecho mais fácil de se caminhar de noite, e as 6h já com o sol surgindo começaríamos o sobe-e-desce pedras. Com pequenos atrasos, conseguimos ir em frente e chegar no pico dos Três Estados pelas 13h, onde fizemos um descanso (quase uma soneca, por assim dizer, vez por outra interrompida pelos roedores) e recuperados do cansaço fomos em frente por mais 6 enormes montanhas que pareciam nunca acabar até chegar ao vale do Ruah, onde encontramos a tão esperada água. Entramos pelo vale de Ruah com lanternas, um labirinto de campinzais enormes onde o tracklog mal ajudava pois ali tudo é fechado, e no escuro da noite, 1 metro de distancia do tracklog indicado no GPS parece que se está a 50 metros, pois tudo e nada se parece com a trilha… enfim, pegamos água e chegamos ao acampamento. Para o cume da Pedra da Mina tínhamos mais de 300 metros de ascensão e resolvemos dormir ali mesmo, todos já bem cansados. Fazia frio mas não aquele congelante, outra sorte nossa.
Tivemos um presente da natureza com um sábado e domingo ensolarados e de noite o céu estrelado, mas de dia o sol aumentava o consumo de água e a necessidade de energia. No domingo, não tão cedo e com calma, subimos a Pedra da Mina. Vistas espetaculares do maciço de Itatiaia, Prateleiras, Couto e as Agulhas… e do Marins e Itaguaré e a gigante Serra da Bocaina (do Mar) eram constantes no sábado e no domingo. Vimos até o Pico do Papagaio de Aiuroca. Vimos o enorme planalto da Bocaina se estendendo imponente com a represa do Funil no vale. Visibilidade rara de se encontrar e quase não haviam nuvens. E, claro, nenhuma sombra para descansar.
O sábado foi o dia mais cansativo pois foi o dia das maiores subidas até o nível dos cumes, já no domingo foi o dia do quebra-joelhos nas descidas até a Toca do Lobo. Planejamos terminar as 18h do domingo, chegamos as 20h10, somente duas horas de atraso. Nenhum acidente, nenhuma lesão, a trilha seca com o mínimo risco de escorregões e creio mais aberta que na tentativa que fizemos em abril passado, quando do início de temporada.
Foram, arredondando tudo, uns 30km de trilha com ascensão acumulada de 3 mil metros e mais de vinte cumes. Eu tinha ficado 3 meses parado devido a uma fissura no ligamento, mas nas 6 semanas que antecederam esta aventura, o treinamento de trilhas que estamos fazendo vários dias por semana pontualmente as 06:00 da manhã ajudou muito a recuperar a forma. Chegamos em Passa Quatro as 21h em busca de comida, mas em cidade pequena tudo fecha cedo e fomos mesmo para o Graal. Enfim, todos chegaram em casa na madrugada de segunda feira. Cansados mas revigorados. E, acredito que todos prontos para qual seja a próxima aventura!… A minha já será a Trilha do Ouro no feriado…e, depois?… A Travessia Latitudinal do Ipaum Guaçu (Ilha Grande)?… O Marins-Itaguaré em 2 dias? O Cassino ao Chui em 1 semana? O Monte Roraima indo ainda mais longe? O Monte Caburaí no Roraima? A nascente do Rio Moa no Acre no Parna Serra do Divisor?… a imaginação está a solta!!
Valeu. Foi sofrido, foi doloroso, foi superação e todos saíram mais felizes. Grupo espetacular que reunimos. O relato detalhado ainda vou preparar para o site www.montanhas.eco.br
Mas, o mais triste de tudo, cuja dor e perda, é incalculável, foi retornar ao Rio é ver a tragédia do Museu Nacional. Uma perda sem tamanho para a humanidade.
Nos links abaixo estão quase todas as fotos da trilha… MENOS as indecentes que pela absurdamente enorme abertura angular da lente da GoPro, deforma e transforma num monstro ao indivíduo que tira a foto no bastão de selfie… Tive de reduzir a resolução para 1366 pixels pois com 5mil pixels algumas tinham mais de 10 megas… E a GoPro estava num modo de tirar 12 fotos a cada clique… não sabia (é o preço que se paga por não ter lido o manual). A demora no relato foi em função das fotos. (Essa GoPro era a que meu filho queria vender, acabei comprando a força).
Fotos por Erick https://photos.app.goo.gl/BDJ3si3dDmBSoEd47
Fotos por Suraya https://photos.app.goo.gl/vrC233NT2mtMHcHr5