Algumas coisas na vida não acontecem por acaso, os amigos, os perrengues, as expedições e lógico, as memórias que irão nos acompanhar para o resto da vida. A travessia da Serra Fina é daquelas que ficam registradas em grande estilo na memória e também nos muitos arranhões do corpo após quatro dias de caminhada por belas cristas e acampamentos selvagens.
Durante a travessia os valores são outros, basicamente as necessidades elementares vêm à tona como o que comer, onde captar água, qual a distância a ser percorrida e onde dormir. O mundo em pandemia de gripe suína, guerras, futebol, trabalho, jornal nacional e cia… caíram no esquecimento, adormecidos em algum lugar do cérebro, longe dos ouvidos e da mente.
A capacidade do time é medida pela resistência do mais fraco em determinado trecho, penso que a vitória é completa quando o último integrante do time se reúne aos demais e assim, com o grupo completo, é hora de relaxar, confraternizar ou simplesmente caminhar por mais seis horas, sendo essa apenas uma rápida parada para descanso.
Os mais sagazes hoje também podem passar por algum tipo de dificuldade e assim passar a fazer parte dos mais lentos. Basta apenas um pé torcido, que para a nossa sorte aconteceu no final da expedição, mais precisamente a três horas do final e mesmo assim deu trabalho… poderia ter complicado e muito as coisas caso a lesão fosse apenas um pouco mais grave.
O sentimento de grupo se manifesta em diversos momentos, na hora do vinho, da refeição quente do dia, na montagem das barracas, nas decisões, horários e divisão do peso. As tarefas comunitárias feitas com alegria e o Pink Floyd com seu poder único de promover viagem instantânea para outro lugar….
Quando a trilha fecha… tem sempre um espertinho que rapidamente fala “liga o aparelho”… O aparelho no caso é o GPS e eu não pretendo entrar na análise dos seus benefícios. Penso apenas que o seu uso tira o romantismo da coisa, pois errando aprendemos e aí não esquecemos mais. Para realizar travessias maiores é preciso conhecer as pequenas, subir a escada no compasso dos seus degraus e não ir direto a cobertura. É muito mais interessante se orientar pelos sinais da natureza que olhar fixamente para uma pequena tela de poucas polegadas.
Destaco a disposição e parceria do meu amigo Zé, a irreverência do Show, a disposição do Dex, a minha amizade sem igual com o André, Fernando e Gustavo. Eugenio o “veg” da turma, Ester grande amiga na montanha e também os novatos Moisés e Gisele.
Coisas não acontecem por acaso, cancelei a expedição por conta do trabalho, que por força do destino ajudou… como partimos em 22/abril e 23 era feriado apenas no RJ ficamos isolados no paraíso, a Serra e a gente, uma bela comunhão natural, natureza selvagem, que beleza de expedição.
Essa foi a terceira, daqui a dois anos a gente conversa.
JP