Acordei antes do despertador, às 5:40 da manhã. Eu estava ansiosa para chegar à Urca e participar do replantio. Henrique havia marcado originalmente para o dia 15, mas havia chovido e a descida estava um tanto delicada, como ele mesmo disse.
Bem, encontrei com o pessoal em frente à escola Gabriela Mistral e seguimos Sávio, Henrique, Carlos, Jana, Luiza, Velho, Krrô, Gisela, Luiz e eu pela pista Cláudio Coutinho. Fomos conversando, eles contando a história do projeto Pão de Açúcar Verde e eu, que enquanto prestava atenção na mata, pensava que era impossível imaginar aquele lugar coberto de capim colonião.
A cada passo, a natureza se mostrava mais presente, borboletas dos mais variados tamanhos e cores, flores coloridas que pintavam o solo de amarelo e lilás, o canto dos pássaros e o barulho do mar me presentearam com um pedacinho do que eu idealizaria como paraíso ali, bem no meio da cidade. O Rio de Janeiro é realmente a Cidade Maravilhosa.
O calor estava ali também, anunciando que o verão havia começado com vontade. A mesma vontade que a nossa, de estar cuidando da mata.
Paramos, o sábio Sávio nos mostrou e explicou sobre como as figueiras crescem, com seu caule abraçando outra árvore e, infelizmente, matando-a aos poucos. Provavelmente ele deve parar e comentar sobre isso todas as vezes que passa por ali, mas eu fiquei encantada com uma árvore abraçando outra, se apoiando para crescer e alcançar o Sol. Uma árvore dá a vida pela outra, ambas crescem juntas e uma delas acaba sucumbindo ao tempo, … bonito eu achei.
Continuamos e paramos pra conhecer o Jair, um Pau Brasil que o Krrô plantou em homenagem ao seu amigo Jair Lourenço, grande montanhista e amigo. Krrô contou que o Jair foi um dos maiores escaladores que ele conheceu, que escalou até o final da vida de uma maneira impressionante. Eu ficaria ali horas ouvindo o Krrô contar. Mas, tínhamos de seguir, as mudas precisavam ser plantadas.
Finalmente chegamos. Fizemos o replantio em 2 etapas, sendo a última próxima a base da Stop. Devo comentar a elegância do Luiz, que chegou e fez todos os buracos para plantarmos as mudinhas (menos 1) sem esforço algum. Pedi pra ele me ensinar a usar a cavadeira e descobri que é mais difícil do que parece.
Todos plantaram as suas mudas. Velho e Jana me levaram no mirante da Stop, que eu ainda não conhecia. Fazia muito calor e pegar aquele ventinho foi sensacional. Jana voltou antes e eu fiquei ouvindo o Velho contar sobre escaladas e surf… se tivéssemos alguns sanduiches e um suco de laranja ou mate bem gelados teríamos ficado ali umas boas horas.
Quando voltamos, Jana estava com a enxada, produzindo o que um dia será um belo platô. Jana, sou sua fã!
Terminamos o replantio, voltamos, tiramos uma foto, suados, sujos de terra e felizes.