Ainda sob forte emoção e com o corpo dolorido, escrevo este pequeno relato sobre os incríveis dois dias que passamos na montanha. Antes de mais nada, quero parabenizar meus companheiros de aventura! Muito obrigado, Tetê, Yngrid e Rafael “Matheus”, por apostarem na expedição, meus comparsas da temida e mundialmente famosa Equipe Garrafão!
Madrugamos no sábado e nos encontramos na portaria do PNSO às 07:00. Com a pré-autorização para acampar no Quarto Abrigo e carregando mochilas insanas, shit tubes a bordo, iniciamos a longa caminhada. Pouco antes de partirmos, ainda na barragem, chegou uma van com 20 pessoas, sendo que 12 também iriam para o Garrafão no domingo… Na hora, pensei: phudeu.
Chegamos ao Quarto Abrigo, montamos acampamento, almoçamos e tiramos uma boa pestana para recuperar as energias. A temperatura estava agradável. Às 15:00, partimos para o cume do Sino via Pedra da Baleia. Golden hour, momento mágico: todos felizes, fotos e até sinal de 4G. A temperatura oscilava entre 10°C e 18°C, e passamos algumas horas curtindo o cume.
A noite estrelada no Abrigo 4 foi memorável. Nos reunimos com as outras barracas para a refeição no refúgio, interagimos com a galera e combinamos de fazer o Garrafão antes deles. Eu só pensava no risco de engarrafamento no escape — e na previsão do tempo: a janela de bom clima no domingo duraria até às 14:00. Importante armazenar energias, ligamos a máquina de pizza de frigideira e comemos até sair rolando…
No domingo, despertamos às 04:40 sob um céu laranja deslumbrante. Às 05:32, iniciamos a caminhada. O nascer do sol foi épico: sem vento, grandes nuvens ao fundo. Partimos pro ataque do Garrafão. A orientação nos lajeados foi boa, e fui marcando o caminho para facilitar o retorno. Chegamos à gruta e iniciamos os rapéis. O cabo de aço estava uma verdadeira cachoeira ensaboada — tranquilo para descer, mas complicado para subir. Novamente pensei no grupo gigante atrás de nós.
Naquele trecho do bacalhau embaixo da rolha, um ponto técnico complicado, encontramos uma ancoragem bem esquisita, mas com muito cuidado conseguimos subir. Fizemos cume com algum visual e, tomados pela emoção, tiramos fotos, nos abraçamos e celebramos. Logo iniciamos a descida. No bacalhau, dei segurança de ombro para meus companheiros e, quando chegou minha vez, fiz uma oração e desci delicadamente. No cabo, optei por prussicar, Tetê subiu com equipo de espeleologia, e Rafa, no braço, com proteção de corda de cima.
O retorno foi tranquilo. Tocamos direto para o Abrigo 4, pois o tempo começava a fechar e queríamos desmontar as barracas ainda secos. Às 16:00, iniciamos a descida do Sino. Meia hora depois, a chuva desabou, transformando a trilha em um rio. No caminho avistei cinco sapos e duas aranhas… dei boa noite e pedi licença pra todos. Os últimos do grupo chegaram à barragem às 21:30 — todos inteiros, molhados, felizes e exaustos.
Mais um Garrafão para a conta! Uma montanha imponente, sempre desafiadora. Vale a pena voltar na temporada, com tempo mais firme e paredes secas.