Há relatos de que os indígenas da tribo Tamoio a chamavam de umbigo do mundo e  posteriormente os bandeirantes a utilizavam como ponto de referência para navegação e a chamavam de barbatana de tubarão.

A pedra do Picu, localizada no município de Itamonte em MG não faz parte do PNI, mas se destaca na paisagem local. A boa notícia é que ela é protegida pela APA da Mantiqueira. 

Esse belo bloco rochoso desponta imponente no meio de uma densa vegetação e qualquer pessoa que tenha andado por aquelas bandas já o avistou e no mínino teve curiosidade de chegar um pouco mais perto.

Eu e Ákbar nutríamos  interesse em conhecer o Picu já faz um bom tempo. Ele desde 2015 e eu fiquei namorando ela durante o último dia da serra fina em 2017.

Apesar de existir poucas informações sobre as trilhas, reunimos estas e partimos nesse feriado para a região de Itatiaia  a fim de atacar a pedra 🙂

No sábado pela manhã fomos até a garganta do registro e pedimos maiores informações aos comerciantes locais e decidimos pelo acesso através do bairro Engenho da Serra, que segundo relatos, apresentava melhores condições na estrada. Entretanto neste acesso a trilha é maior e bem mais íngreme, sendo percorrida normalmente em duas horas.

Após estacionar o carro no vilarejo de Engenho da Serra, iniciamos a subida às 9h40min onde caminhamos inicialmente por um pasto, para em seguida adentrar  na mata. Neste início você não tem noção se está ou não na trilha certa, mas após percorrer um trecho de 30min, encontramos sinalizações indicando a trilha do Picu e outras existentes.

A trilha de fato é extremamente íngreme e a subida se torna dolorosa por conta do peso do material de escalada. Nos 400 metros finais, existe uma pequena queda d’água para recarregar as suas garrafinhas. Ao chegar ao final da trilha junto à pedra, fomos contornando pela direita em busca da base da via que escolhemos fazer: Via do Naval – 3° Vsup. Mas também existe a opção de admirar a vista da pedra do Picu através de um mirante que pode ser alcançado contornando a pedra pelo lado esquerdo.

Começamos a escalada às 12h20 minutos. A via é bem tranqüila e a seqüência de quinto sup é bem interessante. Originalmente essa parte deveria ser feita em A0, porém ela é protegida em chapas bem antigas e sinceramente não imagino como fazer aquilo em artificial.  Além de ser um desperdício não fazer esse trecho em livre. Após o crux a graduação volta a cair e se torna uma seqüência de terceiro grau e finaliza com segundo grau já chegando ao cume.

A pedra do Picu tem um livro de cume na ponta oposta a chegada por essa via. O visual é incrível, e consegue-se  ver todo o maciço de montanhas da região. É de tirar o fôlego!  Acompanhar o traçado da última parte da serra fina é magnífico. Chegamos ao cume as 14h20 e não pudemos nos demorar muito, mas é um lugar para voltar.

A descida é feita pela mesma via e com corda de 60m fizemos 4 rapéis em 40 min. Chegando a base já eram 15h40 comemos algo rápido, guardamos os equipamentos e descemos querendo aproveitar ao máximo a luz do dia. A descida foi feita em 1h e às 17h já estávamos no início da trilha, a parte de pasto novamente.

Foi um dia incrível, super recomendo. Quem quiser mais detalhes é só entrar em contato.

Carla e Ákbar