Conforme previamente combinado, partimos da portaria do CERJ às 05:00 com a turma distribuída em 3 carros a saber: no carro do JP foi a Solange, com a Jana viajaram a Marineth e a Claudinha e comigo foi a Miriam Bamo. Na Niterói x Manilha, encontramos um posto com lanchonete aberto e fizemos ligeira parada para alguns quebrarem o jejum; eu tomei meu café da manhã em casa como sempre, e mais tarde, já em Casemiro de Abreu fizemos uma parada mais demorada, de 07:00 / 07:30, para a turma tomar um café melhorado.

Seguindo viagem tivemos uma grata surpresa, a estrada já está asfaltada até bem mais longe do que da última vez que estivemos por estas bandas, mas ainda temos uns 7km de estrada de terra a vencer antes de chegarmos a Sana, e como viemos a saber mais tarde por aqui choveu bastante durante esta madrugada e aliás, estava chuviscando quando chegamos em Sana; este trajeto estava com alguns trechos bem enlameados e nossos carros chegaram no destino com as cores modificadas pelo respingar constante da dita lama sobre suas latarias.

Estacionamos em Sana, na frente da Pousada Lucy e Lucimar, a mesma que ficamos no ano passado, por volta das 08:00 e por causa das condições atmosféricas reinantes naquele momento pensamos seriamente em abortar o acampamento, mesmo porque, no final das contas contamos com uma única barraca de 3 para abrigar 6 pessoas, e tratamos de negociar um espaço na pousada como da vez anterior. A pousada mudou de dono, mas o novo patrão segue a mesma filosofia dos antigos, e assim sendo, se resolvermos ficar aguardando a melhora meteorológica para tentarmos o cume amanhã, pernoitaremos na pousada, já deixamos tudo acertado para esta opção.

Deixamos os carros na frente da pousada e fomos dar uma volta na cidade, hora chuvisca, hora o céu dá sinais de melhora e assim a dúvida persiste, ficamos ou retornamos imediatamente para o Rio? Voltamos até a pousada e ficamos confabulando para tomar uma decisão final. Resolvemos dar um passeio até o parque e entrar na trilha indo até a cachoeira do escorrega para avaliar as condições da trilha e do rio e mostrar para as meninas que ainda não conheciam a região, a área de camping que pretendíamos ficar originalmente. O rio está impraticável, não dá para arriscar, em compensação a trilha está em bom estado.

Voltando do passeio ainda não era meio dia e resolvemos bebericar um pouquinho antes de encomendar nosso almoço, mas a essa altura já havíamos deliberado que almoçaríamos na cidade e dependendo da evolução das condições meteorológicas tomaríamos nossa decisão final. Antes de parar num dos bares da pracinha voltamos até os carros para pegar uma garrafa de vinho, pois a Miriam não bebe cerveja. Por volta das 13 horas resolvemos que era hora do almoço e mais uma vez voltamos até a pousada onde pretendíamos comer, porém algumas das meninas não se encantaram com o menu do local e mais uma vez voltamos para a praça para almoçar naquele bar onde estivemos bebericando mais cedo. Se somarmos todas as idas e vindas entre a pracinha e a pousada, concluiremos que fizemos uma boa caminhada hoje.

Almoçamos muito bem e com toda calma e lá pelas 16h voltamos para a pousada. A Miriam que faria o Peito de Pombo hoje e voltaria amanhã de manhã para o Rio, resolveu antecipar sua volta para hoje, já que de toda maneira amanhã ela não poderá nos acompanhar na excursão. Tem uma Kombi de hora em hora que faz o trajeto Sana X Casemiro de Abreu, e a próxima sairá às 16:30. Ficamos papeando junto aos carros até o embarque da Miriam e a seguir estacionamos os carros no terreno da pousada e tratamos de nos instalar no quarto a nós destinado; neste temos 2 beliches, uma cama de solteiro e uma de casal e assim sendo, cada um ocupou uma das camas e como todos tínhamos madrugado hoje, depois de tantas idas e vindas até a cidade e de algum beberico, estávamos com sono e sem exceção fomos tirar aquele gostoso cochilo que durou até em torno das 19 horas.

Sono regularizado, um a um fomos nos levantando, tomando banho e saindo para uma vez o grupo completo, partirmos mais uma vez para a cidade para observar o agito local, e a esta altura, felizmente para nós outros o céu já estava prenunciando um bom domingo de sol que é tudo que nós queremos neste momento. Permanecemos mais ou menos 1 hora na pracinha da igreja e ficamos muito felizes por nossa pousada ser bem longe dali, pois o som dos vários bares era ensurdecedor e pelo jeito vai continuar assim até bem tarde. Demos umas voltas pelo local e ficamos o tempo necessário para o JP tentar subir numa arvore e levar aquela escorregada teatral que lhe valeu uma bela queimadura acima do quadril; este cara é arteiro mesmo!

Depois de 2 cervejinhas, é, estamos bem comportados, apenas duas para 6 pessoas é o cúmulo do foco, voltamos para a pousada e por volta das 23h todos estavam em suas caminhas pois nossa alvorada está prevista para as 06:10 com café da manhã a partir das 7h.

Sana, domingo 03 de dezembro de 2006.
Alvorada 06:10h eu fui o primeiro a levantar e após um bom banho para acabar de acordar, sai para observar o tempo que fazia lá fora enquanto os outros iam levantando um a um para tomarmos o nosso desjejum antes da tão esperada excursão ao cume do Peito de Pombo. Felizmente acertamos em cheio na nossa decisão de ficar por aqui, o dia amanheceu lindo com céu completamente azul prometendo aquele dia perfeito.

Como acertado de véspera com o dono da pousada, café da manhã às 7h e depois de todos estarem satisfeitos e bem alimentados partimos às 07:50 rumo a nossa tão esperada excursão. Passamos pela portaria do Parque 08:10 e por volta das 09 horas chegamos na pinguela por onde atravessamos o rio e começamos a parte de subida na trilha. Pouco antes de chegarmos neste ponto notamos uma outra turma de 7 pessoas que já estavam do outro lado do rio seguindo uma trilha que não os levaria a lugar algum e em comunicação meio precária por causa da distância entre os grupos, os alertamos que se eles queriam atingir o Peito de Pombo estavam na direção errada e indicamos a certa que eles logo trataram de seguir.

Até a travessia do rio nosso grupo estava se mantendo coeso e apesar de a Marineth se deslocar num ritmo um pouco mais lento que o resto do grupo, isto não causou grande atraso na nossa marcha; porém, foi só começar o trecho de subida verdadeiramente dito que os problemas começaram. Ela foi ficando cada vez mais para trás e começou a se queixar de câimbras. Enquanto o JP adiantava a subida com as outras três meninas eu fiquei para fechar a fila e não deixar nossa guerreira desistir da subida, se por um lado ela realmente atrasou um pouco o grupo, já que levamos quase 5 horas para realizar o trajeto total quando o normal seria em torno de 3 a 3 horas e meia, por outro lado ela demonstrou perseverança e valentia não desistindo da sua meta. Parabéns guerreira!

Até a entrada da floresta na encosta do Morro que leva à pedra, aonde chegamos por volta das 10:10, a outra parte do grupo nos esperava de tempos em tempo e a partir deste ponto resolvemos que eles não nos esperariam mais, seguindo direto para a base da pedra sem se prender ao ritmo da nossa retardatária; quando por volta das 12:30 finalmente nós fechamos o grupo na base da pedra, o JP já estava na metade do artificial para o cume e estava em dificuldade para passar um lance aonde se faz necessário o uso de um cliff de buraco que infelizmente nós não tínhamos. Subi para tentar acharmos uma solução, mas a emenda foi pior que o soneto, pois o grampo em que ficamos não parecia bastante seguro para aguentar os dois no caso de uma queda do outro. Desci enquanto o JP ficou no local procurando um jeito de vencer o lance. Do chão, alertado pela Jana, pude ver que a parede ao lado e acima do ponto em que ele estava empacado estava equipada com pés de galinha, que provavelmente em alguma época remota já sustentou um cabo de aço e resolvi tentar laçar com a corda o pé de galinha à esquerda do ponto em que ele estava, isto após ele ter tentado sem sucesso laçar o pé de galinha acima dele com uma fita longa.

Para nossa sorte, na minha primeira tentativa eu lacei o pé de galinha lateral a uns 12m acima da minha cabeça e numa diagonal pouco acima do ponto onde o JP estava; pura cagada, eu acho que nunca mais consigo uma laçada tão certeira quanto esta. Pé de galinha laçado, passamos a corda entre a parede e o JP e a fixamos em baixo no nível em que estávamos; isto feito o garotão montou um prussik na corda que passava acima do buraco de cliff já mencionado e nele instalou o estribo para vencer o lance com facilidade. Depois disto nosso guerreiro chegou ao cume rapidinho e fixou a corda pelo meio possibilitando assim a subida em prussik de dois montanhistas de cada vez.

Fui o segundo a alcançar o cume e a seguir vieram a Claudinha e a Solange completando o grupo de cume. Ficamos no cume da cabeça do pombo até por volta das 14:30 quando iniciamos nosso rapel e de volta na base da pedra fizemos um pequeno lanche antes de arrumar nosso material e finalmente às 15:00 iniciarmos nosso retorno ao vilarejo.

Felizmente para a descida a Marineth não se queixava mais de câimbras e apesar de ter um ritmo mais lento do que o do resto do grupo, pelo menos não parava a cada dois minutos como na subida. Atingimos a pinguela sobre o rio às 16:30 e depois de atravessá-la, aproveitamos para um bom e reconfortante banho de rio nas águas frescas e cristalinas do local; valeu! Retomamos a caminhada às 16:50h e passamos de volta pela Portaria do Parque por volta das 18:00. Paramos mais uma vez na pracinha da Igreja que hoje foi nosso último grampo aonde brindamos o sucesso da jornada com aquela geladinha deliciosa.

Depois de arrumarmos nossas tralhas e acertar nossa conta na pousada, por volta das 20:30 iniciamos nosso retorno ao Rio parando ainda em Casemiro de Abreu das 21:00 até 21:20 quando a Jana abasteceu seu possante e o JP o seu pandulho. Depois de deixar a Claudinha na Lagoa cheguei de volta em casa no Flamengo em torno das 23:20 encerrando assim mais uma bela jornada em companhia de queridos parceiros Cerjenses.

O grupo: João Paulo Fortes “JP” (guia oficial da excursão), Jana Ribeiro Menezes, Solange Conde Marcello, Maria Marineth Huback (Marineth), Cláudia Helena Frias (Claudinha), Miriam Gerber “Bamo” (somente no sábado) e José de Oliveira Barros (Zé)

José de Oliveira Barros (Zé)