Tudo começou quando Marcelo postou um convite na Cerjlist para fazer a passagem dos olhos. Como eu já pretendia fazer essa via esse ano e queria outra cordada de companhia por ser a primeira vez em uma via que todos falam para ser cauteloso me animei com a ideia e combinei com a Ilana de formar uma cordada para acompanhá-los. As 6:30 nos encontramos em Botafogo e pegamos a Ilana no Largo dos Leões. Começamos a caminhar 6:58 do estacionamento da rampa de voo livre em direção ao colo entre a Pedra Bonita e a Pedra da Gávea. Ao chegar lá Marcelo guiou a via ventania e em seguida Anabel, eu e Ilana subimos com corda fixa e prussik para agilizar e o Caie veio no final escalando. Adentramos no mato até chegar na trilha e continuar a subida, paramos para descansar e lanchar na Praça da Bandeira e logo retomamos nosso caminho até a base da via. Nesse momento definimos as cordadas. Eu e Ilana partimos primeiro e em seguida Caie, Anabel e Marcelo. Enquanto dava seg para Ilana ouvi a primeira grande frase do dia …. “CARAAAAACA, É ALI A CARRASQUEIRA?” … menina desesperada quando viu Ilana guiando a primeira enfiada e achou que teria que fazer aquilo. Ilana guiou a 1ª enfiada, eu guiei a 2ª e 3ª , após incentivo a Ilana se encorajou para passar perrengue na 4ª e chegando no olho direito paramos para apreciar a vista, tirar fotos, comer e aguardar a cordada que vinha logo atrás. Comentei que foi bem tranquilo e não era o monstro que imaginávamos com as descrições da via e Ilana disse para não falar porque ainda não tinha terminado (eeee boca rsrsrs mais a frente vem a explicação). Assim que o Caie chegou rapelamos até o cabo de aço e eu iniciei a última etapa. Por falta de experiência fui com apenas uma solteira e com a seg da Ilana chegando no final cansado, mas sem problemas. A Ilana veio logo depois e … DE REPENTE … ahhhhhhhh … corda tenciona … Pergunto o que houve e escuto apenas ela gritar ESTOU BEM … ufa foi só um susto e me vem a mente … ela vai ter que “prussikar” … ah claro que não ela está na solteira e é só esticar o braço e voltar para o cabo de aço …. ZZZzzzZZzZZzzzz … o tempo passa e nada …. a comunicação é precária naquele ponto e como achei que ela estava demorando travei a corda e mandei mensagem para saber o que houve e como ela estava e logo me liguei que se fosse eu não pegaria o celular naquela situação então liguei para o Caie que estava mais perto dela e ele disse que ela estava “prussikando”. Aguardei e logo ouvi ela gritar … ESCALANDO … retomei a seg e quando ela virou a quina da rocha e me viu … BOOOOMMM …. VEIO A EXPLOSÃO …. de emoções, nervosismo e choro …. ahhh, sniff, snifff, perna, eu caí, estou nervosa, não consigo … tentei acalma-lá e ela mandou bem no finalzinho. Quando se acalmou me disse que também estava com uma solteira apenas e na hora de trocar de um cabo para o outro ela caiu, mas não se lembrava se perdeu o pé ou a força no braço. Mandamos mensagem e ligamos para outra cordada para avisar que o crux da via para nós foi o cabo de aço mais influente no psicológico do que a via em si. Subimos e chegamos ao cume por volta de 14:30, descemos em direção a trilha para acompanhar se eles rapelariam pela via anatomia de um rosto ou continuariam pelo cabo de aço. Na carrasqueira rapelamos e um casal nos pediu para descer segurando a corda porque a mulher estava bem nervosa e deixamos, pois não custa nada ajudar. Nesse momento outro cara pediu para descer com o grupo dele que ainda estava vindo lá de cima, mas as 15h com sol forte o sentimento de ajuda não é tão forte e quando chegamos lá embaixo foi o tempo de desequipar, o casal descer … a menina chegou chorando, soluçando e com o nariz escorrendo como de uma criança melequenta rsrsrs … Ilana pediu para eu avisar que não ia esperar o próximo grupo descer, pois ela tem uma alma caridosa e não ia conseguir e assim o fiz e falei para que descessem pela corda do cara que estava ao lado e cobrando dos desavisados que sobem sem ter condições de descer, pois se fossemos ajudar cada grupo que chegasse sairíamos de lá no dia seguinte e o objetivo era verificar o andamento da outra cordada. Chegamos em um ponto da trilha com boa visibilidade do cabo de aço e ficamos acompanhando até o último virar e sumir atrás da rocha. Por volta de 16:45 eles passaram o cabo de aço e eu e Ilana começamos a descer em direção ao carro. Antes do colo procuramos a variante meméia que nos dava menos destrepa mato, rapelamos em uma árvore e em seguida na via ventania. Continuamos a trilha e ouço a segunda grande frase do dia “IMPRESSIONANTE COMO A FORÇA DA GRAVIDADE FUNCIONA MESMO” …. era Ilana se lembrando da queda, nesse momento já zoei bastante e rimos durante a longa subida de volta. Paramos em um córrego para se refrescar e ajudar dois moradores daquela casa próximo ao estacionamento a recuperar o papagaio deles que tinha fugido e não sabia voar. Chegamos ao carro 18:08. Tomamos o último gole de água que tínhamos e logo ali dentro do carro do Marcelo estava uma garrafa de água que Ilana deixou justamente para volta, mas o carro estava fechado hehehe. Como precisávamos nos hidratar e íamos esperar pedi água para um moça que dividiu a água dela conosco … foi pouco mas valeu … o estacionamento foi esvaziando e quando o último carro ia sair pedi mais água pois não sabia o tempo que teríamos que esperar e ganhamos um garrafão. A outra cordada revezou a guiada entre Caie e Marcelo, mas não sei quem fez cada enfiada específica. Desceram rápido do cume, rapelaram pela chaminé elly e chegaram ao carro por volta de 19:20. Foi um dia longo e maravilhoso. Vlw pela companhia galera e kmonnn para as próximas empreitadas.

Abraços
Eduardo Oliveira