Manutenção do Paredão Laranjeiras – por Cláudio Castro

Concluí a conquista do Paredão Laranjeiras com o Pauleca (Paulo Boaventura Neto) em 1964. Terminamos uma diagonal para a direita, abaixo de um negativo e, no fim da diagonal, dominamos esse negativo, uma barriga, onde coloquei um grampo. Em seguida, fiz um lance em “agarrência” até chegar no mato que levava ao cume.

Agora, em 2025, o Bernardo Loureiro concluiu a manutenção do Paredão até a parada P3, no final do diedro (veja foto e croquis abaixo). Da parada P2, ele não identificou a sequência na vertical para o final do diedro e, então, concordei que ele fosse para a esquerda e pegasse o diedro na horizontal da P2. Assim, ele conquistou uma variante que ficou bem interessante, pois é feita totalmente em livre e termina na P3, no final do diedro, onde ele encontrou um grampo original. Ele usou móveis para segurança ao longo do Diedro.

Fernando Fajardo no Paredão Laranjeiras. Ao fundo, a nova variante, o diedro Boaventura.

A via original vai direto de P2 para P3, em artificial A1, com grampinhos (parafusos) que usávamos na época, sobre os quais colocávamos uma chapeleta e aparafusávamos uma borboleta. O Bernardo só viu alguns desses parafusos quando desceu da P3. Ele disse que não valeria a pena recuperar esse trecho em A1 pq a rocha é repleta de lascas e limo. Concordei com ele, pois a escalada é bem mais técnica e interesante pela variante.

Como eles não usam, hoje em dia, dar nome de pessoas às vias, sugeri, e ele concordou, em nomear a variante como “Variante Boa Ventura” para fazer uma alusão ao sobrenome do Pauleca (Paulo Boaventura Neto) e, também, porque boa ventura significa boa sorte, bom destino, boa fortuna.
O Bernardo não se interessou em recuperar o trecho acima do diedro porque a barriga que dominamos começa com um artificial fixo e prossegue com um lance de aderência até chegar à vegetação que vai ao cume. Portanto, fica a critério da Diretoria Técnica do CERJ, completar esse trecho final até uma parada P4, junto à vegetação.

Saudações CERJenses, Cláudio Castro