Duzentos e trinta e cinco, esta é a soma da experiência (vulgo DNA) das duas cordadas de 2 que em 4 horas escalaram hoje a Chaminé Stop no Pão de Açúcar, segundo o guia da Urca esta é uma via de D3, isto é, duração média de 4 a 6 horas de escalada. Dos quatro pós-adolescentes, apenas a representante feminina, a nossa gatinha tem menos de 50, enquanto os 3 gatosos já passaram das 6 décadas bem vividas. Enquanto nossa gatinha de tanto dominar a via é apelidada de rainha da Stop, dois do grupo não a visitavam a mais de 15 anos, e o quarto a fez pela primeira vez a uns 6 anos apenas, mas todos sem exceção curtiram muito esta escalada, uma das clássicas da região da Urca, e a completaram sem a mínima dificuldade.
Esta excursão em particular estava programada desde o ano passado, quando nosso grande Cláudio Leuzinger, que desde 2005 passou a nos visitar uma vez por ano, sempre para repetir uma das excursões que ele curtia fazer nos velhos tempos de CERJ (para o próximo ano já está programada a Agulha do Diabo); ele está morando em Brasília já há vários anos e lá, pra escalar tem que ir bem longe, então porque não vir logo pro Rio onde ele é e sempre será bem-vindo além de ter direito adquirido, por mérito próprio, de escolher onde, quando, com quem e que excursão participar. A data foi escolhida pela proximidade com a abertura de temporada de montanhismo do Rio e aproveitando a ocasião, eu também marquei um Escalavrado que imediatamente interessou ao Reynaldo Pires, outro grande Cerjense morando atualmente fora do Rio, em Floria, que não visitava esta montanha há aproximadamente 20 anos.
Quanto ao Escalavrado, em contato via Skype com o Reynaldo poucos dias antes da data marcada, este ao saber da programação logo aderiu à prancheta, mas ainda nem sabia da ida à Stop. Foi muito legal a participação do Reynaldo na nossa excursão ao Escalavrado e aí ele ficou sabendo que o Leuzinger viria especialmente para fazer a Stop; ele não manifestou explicitamente naquele momento nenhuma intenção de participar daquela outra aventura, porém, certamente seus neurônios devem ter ficado excitados com a possibilidade de também participar de mais uma Stop. Passada a linda jornada do Escalavrado no dia seguinte veio a Abertura de Temporada na Urca, e aí, em conversa com a Norminha, nossa Rainha da Stop, ficou resolvido que ele faria uma cordada com ela enquanto eu e o Leuzinger comporíamos a outra para neste dia 12 empreendermos mais uma ascensão Cerjense da Stop.
A escalada foi mais tranquila e fácil do que imaginávamos, pois além do peso do nosso DNA, ainda tínhamos o fato de dois dos participantes estarem afastados desta parede a mais de uma década, mas como diz o ditado, quem já foi rei nunca perde a majestade, mais uma vez assim foi e em meia hora fizemos o trajeto Guia Lopes base da via, sem o mínimo estresse nem correria desnecessária guardando assim bastante energia para ser empregada na nossa tarefa mor, a escalada da Stop. Pouco depois das 8 horas desta bela manhã de outono carioca com temperatura amena, nem fria nem quente, a Norminha deu início a tarefa secundada pelo Reynaldo e assim que este saiu da base eu inicie a segunda cordada compartilhada com o Leuzinger. Desta vez fiquei conhecendo um outro trecho desta chaminé que eu nem sabia que existia, é o “Buraco Escuro”, que segundo o Reynaldo que nos apresentou a alternativa, era o caminho original da escalada e começa numa diagonal na direção da outra chaminé (a Gallotti) partindo do segundo grampo da segunda chaminé, o imediatamente abaixo do grampo do L que leva à parada pouco abaixo do Salão Azul. Este trecho apesar de escuro e mais sujo, pelo pouco uso atual, que o novo caminho, é bem mais tranquilo que aquele e certamente menos estressante principalmente para os estreantes na via.
Ficamos um bom tempo no Salão Azul, papeando e comendo bananadas da Norminha, hoje nem estamos com muita sede, a temperatura está perfeita para nossa prática e a parede que eu pensei que pudesse estar molhada ou pelo menos muito fria, está simplesmente perfeita, completamente seca; mas nós merecemos. Apenas no buraco da galinha houve um momento de alguma dificuldade, pois nosso amigo de Brasília está bem forte e por pouco não ficou entalado no famigerado buraco. Vencido o buraco, o restante da escalada transcorreu sem nenhum incidente, apenas com paradas mais longas para fotos do Leuzinger que se fartou de bate-las, tendo até que trocar a memória da sua digital.
Passava pouco do meio dia quando finalizamos a escalada, portanto com um tempo muito bom para o grupo que chegou na grutinha da santa completamente inteiro, dava até para fazer outra escalada.
Participantes: Norma de Almeida (Norminha, a rainha da Stop), Cláudio Leuzinger, Reynaldo Pires e eu.
José de Oliveira Barros (Zé)