Acordei às 03:00 e por volta das 03:50 parti no meu calhambeque para buscar a Claudinha na Lagoa de onde por volta das 04:05 prosseguimos em direção a Serra. O combinado com o JP e o Show era de nos encontrarmos por volta das 05:30 no posto Garrafão na subida da Serra. Estacionei no referido posto exatamente 05:15 e enquanto a Claudinha reforçava seu café da manhã, já passada a hora marcada do nosso encontro, eis que chegam o Mollica e o Groba, eles estão indo para Salinas, mas nem sinal dos nossos companheiros de jornada; um chegou depois das 06h e ainda esperamos aproximadamente mais meia hora pelo outro, que pegou um tremendo engarrafamento na estrada.
Grupo finalmente reunido, por volta das 06:40 deixamos o posto Garrafão seguindo para o Paraíso da Serra onde deixaremos os carros estacionados. Com os carros estacionados e todo o material separado e checado, por volta das 07h iniciamos a descida em direção a entrada da trilha à beira da rodovia a 830m de altitude aonde chegamos às 07:10 e imediatamente começamos a subida em direção ao nosso objetivo final; o piso da trilha está bem úmido, deve ter chovido por aqui nesta madrugada. Até que o tempo gasto para chegar à Chaminé das Pedras Soltas não foi tão ruim assim pois 08:10, portanto com 1 hora de caminhada atingimos aquela base. Depois de ligeiro descanso e visitas ao “banheiro”, tratamos de nos equiparmos e às 08:30 o JP abriu a subida pelo novo cabo de aço instalado no paredão à esquerda da Chaminé das Pedras Soltas; a parede estava meio molhada e desta vez usei a sapatilha neste trecho para economizar energia; subimos sem maiores dificuldades. As cordadas já previamente definidas foram JP e Show e a Claudinha e eu.
Subimos mais dois grandes lances de cabos encordoados pois este trecho estava bem úmido e nossa debutante fica assim mais protegida. Para os restantes guardamos as cordas pois os outros cabos ficam mais práticos de serem subidos desencordoados. Como eu já esperava, perdemos um pouco de tempo neste trecho até a bifurcação Teixeira x Leste, mas não muito, e lá chegamos por volta das 09:45 levando, portanto, pouco mais de 1 hora para vencer o trecho. Às 10:15 retomamos a caminhada e por volta das 10:30 chegamos na base da Leste seguindo a seguir até o cume do polegar aonde aproveitamos a bela manhã que estava fazendo para tirar fotos.
Finalmente por volta das 11h o JP deu início a nossa escalada com 2 cordadas como previsto. Subi até o primeiro grampo e avisei a Claudinha para vir, o Show ficou esperando a partida da nossa menina para orienta-la na saída, lance chave deste trecho e assim que ela chegou, eu parti em direção à base da Maria Cebola, lá chegando logo a seguir do JP e imediatamente montamos a segurança para nossos participantes; mais uma vez o Show ficou por último para orientar a Claudinha, esse cara é mesmo show!
Daqui pra frente, não anotei mais os horários até nossa chegada ao cume. Naturalmente perdemos algum tempo rebocando as mochilas, inclusive a minha que levei nas costas até a curva de onde o JP rebocou todo exceto a dele, que o próprio carregou parede acima, até o grampo na entrada da chaminé. A Claudinha teve alguma dificuldade na entrada da Maria Cebola, mas depois fez o trecho sem maiores dificuldades. No lance de chaminé que se segue, nossa debutante também sofreu um pouco, mas guerreira que é, não esmoreceu e mais uma vez venceu o desafio com galhardia. Como o JP estava na frente, mais uma vez ele rebocou as mochilas e assim pela primeira vez subi esta chaminé sem me preocupar com a dita. Da saída desta chaminé em diante as cordadas se separaram, o J e o Show se adiantaram e eu fiquei mais para trás com a Claudinha.
Passado o pulo do gato, puxei a Claudinha até aquele ponto e segui para a base do passo do gigante, e lá estava o Show já com o braço empedrado de tanto fazer força entrando errado no lance. Puxei a Claudinha e sugeri que ele descansasse um pouco e esperasse eu fazer o lance para que ele visse a melhor maneira de vencer o trecho; e assim foi feito. Realizei o passo do gigante e de cima passei a dar segurança para ele que logo conseguiu passar o lance e prosseguir para o cume enquanto eu orientava a Claudinha no lance.
Quando a Claudinha chegou até mim, a poucos metros da base da escalada que leva ao cume, a outra cordada já estava descansando no topo do Dedo e eu sugeri a nossa menina, que prontamente aceitou, que ela subiria pela escada chegando ao cume antes de mim; orientei-a a costurar num dos suportes da escada e a seguir num grampo existente logo após a saída da mesma e fiquei na segurança da gatinha que logo se reuniu aos outros dois no cume do Dedo, eram então 13:55 deste glorioso sábado de carnaval.
Hoje sem o estresse do horário ficamos um bom tempo no cume, quando aproveitamos para anotações no livro de cume, um pequeno lanche, muitas fotos e naturalmente os cumprimentos de praxe, além de vários telefonemas, sendo o mais emocionante o da Claudinha para seu pai, que fez questão de me chamar ao aparelho para me agradecer pela jornada da filha; muito legal. Em outro telefonema, conversando com o Carrô, este nos sugeriu que fizéssemos um minuto de silêncio em memória da nossa saudosa Paulinha que daqui a dois dias completa um ano que partiu do nosso convívio; boa lembrança, e imediatamente executamos o minuto de silêncio.
Às 15:00 o JP abriu o rapel para o retorno desta já memorável excursão a este renomado cume; esta foi a primeira vez da Claudinha, a segunda do Show, a décima quarta minha e talvez a vigésima do JP. Emendamos as duas cordas e eu fiquei ancorado para orientar a Claudinha na montagem do rapel, sendo seguida pelo Show, para finalmente eu descer fechando o procedimento. Terminamos os rapéis até a base da Teixeira às 16:00. Continuamos nossa descida pela sucessão de cabos de aço e cordinhas instaladas na encosta para garantir a segurança dos frequentadores do local. Neste trecho nem perdemos muito tempo, pois a nossa guerreira enfrentou galhardamente bem a sucessão de cabos de aço e cordinhas que auxiliam na descida deste trecho até a bifurcação.
Passamos de volta pela bifurcação das trilhas para as bases das vias Leste x Teixeira às 16:50 e só nos derradeiros 130m antes da base da Chaminé das Pedras Soltas voltamos a armar os três derradeiros rapeis da jornada. Chegamos de volta na base da Chaminé das Pedras Soltas às 17:50, horário do último a rapelar. Depois de nos desequiparmos, separarmos e guardarmos devidamente nossos equipamentos nas mochilas, finalmente às 18:05 deste sábado de carnaval 17 de fevereiro de 2007 deixamos a Chaminé das Pedras Soltas para trás descendo em direção à rodovia aonde eu cheguei 18:50 ainda com luz do dia, pois como estamos no horário de verão, só vai escurecer lá pelas 19:20 mais ou menos. Nesta descida o JP veio na banguela e chegou na estrada em menos de meia hora; inicialmente eu segui o ritmo do Show e da Claudinha, mas a meio caminho, aonde não havia mais perigo de eles perderem a trilha, eu também me adiantei e cheguei na estrada um pouco antes deles, mas todos sem exceção chegaram extremamente felizes por terem conseguido chegar ao fim da empreitada com um tempo de duração relativamente bom e principalmente sem nenhum acidente.
No caminho para o Paraíso da Serra o Show e eu (naturalmente que o JP fez a mesma parada antes de nós) aproveitamos para um delicioso banho nas águas da fonte da Santinha; a que energia, depois deste banho dá até para começar toda a ralação de novo; brincadeirinha!
O último grampo foi no restaurante do Paraíso da Serra como de costume, e de lá a Claudinha ligou de novo pro paizão para informar do êxito da jornada e dizer que estávamos saboreando o caldo de cana que eu havia dito a ele lá do cume, que sorveríamos após nossa descida de volta à civilização. Seguimos de volta para o Rio, chegando em casa pouco antes da 22h, aproximadamente 18 horas depois de ter iniciado esta jornada.
Participantes: Cláudia Frias (Claudinha), João Paulo Fortes (JP), Rodrigo Molinari (Show) e eu.
José de Oliveira Barros (Zé)