Exatamente hoje 09-09-09 completam-se 19 anos da minha primeira escalada do Dedo de Deus que se deu no dia 09-09-90 e esta será a minha 19ª investida, a 2ª este ano nesta bela e renomada montanha do PNSO, uma dos cumes mais cobiçados pelos escaladores nacionais. Haja “noves” nesta história; mas vamos aos fatos, ao voltarmos da escalada da Agulha do Diabo no mês passado, quando a Marcia e a Jana dominaram aquele cume pela primeira vez, paramos para almoçar no Paraíso da Serra e aí eu comentei com o Rafael que seria legal eu arrumar um parceiro para escalar o Dedo nesta data por causa da incrível combinação dos números envolvidos e ato contínuo o Mulambo emendou: “assim que eu chegar no trabalho amanhã vou batalhar uma folga para este dia; depois eu te digo se consegui ou não”. Não demorou muito e veio a resposta: “Dedo de Deus no dia 09-09-09 confirmado”. Eu pensei comigo mesmo – beleza, só falta agora o de acordo de São Pedro!
Na terça-feira dia 08 fomos curtir o “Kmon Festival de curtas de montanha”, que aliás foi muito legal e tanto os organizadores como os realizadores e artistas que atuaram nos filmes estão de parabéns, e é claro brindamos o evento com algumas cervejinhas, mas nada que pudesse comprometer nossa performance na empreitada desta quarta. Tanto o Rafael quanto eu só fomos dormir por volta da meia noite para acordar às 03:30h, mas quando estamos em boas companhias no momento presente e os projetos futuros são bons, 3 horas e meia de sono são mais do que suficientes para os mulambos descansarem os esqueletos e partirem inteiros para os desafios. Pouco tempo depois de ter me deitado começou a chover, mas com toda a certeza esta chuvinha não vai nos atrapalhar.
Como combinado às 04:30 seguimos em direção ao PNSO; a chuva da noite passada não durou muito, mas mesmo assim, por todo o trajeto até a subida da serra vimos sinal da dita e em alguns pontos até ainda restavam poças d’água que os carros lançavam longe ao passar, mas para nossa felicidade a partir da subida da serra tudo estava bem seco.
Nós entramos na trilha às 06:10 desta bela manhã invernal da serra, o sol já iluminava os cumes colorindo-os de um dourado esplendoroso, só estando no local na hora certa para assistir ao espetáculo, como diz o velho ditado “Deus ajuda a quem cedo madruga” e hoje nós madrugamos. Às 06:52 chegamos na base da Chaminé das Pedras Soltas e sem mais demora nos hidratamos e colocamos nossos baudriers, iniciando a seguir a subida via cabos de aço. Chegamos na bifurcação Leste x Teixeira às 07:20 e depois de um ligeiro lanche abandonamos a minha mochila e seguimos para a base da leste com apenas uma mochila, a do Rafael. No colo entre o Polegar e o Indicador fizemos pequena pausa para fotos e finalmente às 07:50 depois de completar a preparação dos equipamentos necessários, iniciamos a escalada propriamente dita.
A escalada em si se desenrolou sem maiores percalços e a parte alguns momentos de paradas para fotos seguiu sem maiores interrupções e às 09:27 atingimos o cume do Dedo de Deus, eu pela décima nona vez e o Rafael pela oitava; mais um pouquinho e teríamos mais um nove nesta história. O tempo aqui no PNSO esteve sempre ótimo, não fez nem frio e nem calor e aproveitamos para pegar aquele solzinho.
Ficamos no cume por praticamente 1 hora, tivemos tempo de escrever nossas impressões desta jornada no livro de cume, tirar fotos e simplesmente curtir a paisagem, hoje até a Baia de Guanabara estava bem nítida. Finalmente às 10:20 iniciamos nosso retorno e como hoje só temos uma corda, optamos por rapelar pelo trajeto original descendo inicialmente pela escada de acesso ao cume. A descida foi tão tranquila quanto a subida e apesar de termos parado alguns minutos na base da Chaminé das Pedras Soltas papeando com um grupo de 5 pessoas que ali estavam; eles não pretendem passar deste ponto, mesmo porque sequer estavam devidamente equipados para tal, chegamos de volta à base da trilha, na rodovia às 12:37 e dali fomos tomar aquele banho revigorante na Santinha antes de seguir para o restaurante do Paraíso da Serra e saborear aquele almoço merecido; é lógico que brindamos o sucesso da empreitada, com aquela cervejinha. Na descida da serra entregamos nosso termo de responsabilidade relativo a esta atividade na sub sede do Parque e voltamos felizes para o Rio.
O meu muito obrigado ao nosso Mulambo Mor Rafael que de imediato abraçou a ideia de escalar comigo neste dia; valeu meu camarada !!!
Obs.: – Apesar da coincidência de números, minhas idas ao dedo não tiveram a regularidade que tais números aparentam, pois em vários anos não visitei o Dedo uma vez sequer, mas em compensação em outras ocasiões fui duas e até três vezes no mesmo ano: nos anos de 1990, 91, 93, 95, 97, 2000, 2002 e 2003 estive no Dedo de Deus apenas 1 vez em cada ano; em 2004 fui 2 vezes; em 2005 de novo apenas 1 vez; em 2006 por 2 vezes; em 2007 por 3 vezes; 2008 apenas 1 vez e neste ano de 2009 por 2 vezes perfazendo um total de 19 vezes completadas exatamente no dia do 19º aniversário da primeira escalada desta bela montanha.
José de Oliveira Barros (Zé)