CBM na Pedra, a história de um sucesso
Por: Igor Costa
Quando terminei o meu CBM, em 2023, o CERJ vivia um outro momento histórico, acabado de sair de uma pandemia e com bastante dificuldade em levar os CBMs para escalar. Yvie e eu, que, da minha turma, fomos os mais interessados em escalada propriamente, ficamos à mercê de choramingar todas as semanas em busca de guias para nos colocarem na pedra, a maioria das vezes sem sucesso. Esse processo nos levou rapidamente para a guiada – era isso ou deixarmos de escalar – e graças a guias mais experientes do clube, fomos instruídos adequadamente na guiada. Fizemos nosso curso de Primeiro de Cordada, infelizmente, muito cedo (alguns meses apenas após o CBM), e isso nos trouxe algumas felicidades e algumas angústias.
Acontece que esse cenário não era apenas nosso, Júnior, que fizera o CBM um ano antes, também ficara um bom ano sem ganhar volume de rocha. Sendo assim, era uma constante entre nós a ideia de que não deixaríamos os CBMs passarem pelo mesmo perrengue pelo qual passamos. Assim, em 2024, nós três colocamos na cabeça que levaríamos os CBMs para a pedra assim que acabasse o curso. E foi o que fizemos. Aos alunos do CBM daquele ano (Alexandre Chevitarese, Anderson, Thailli, Igor – o outro, não eu -, Diane, Thamyres, Renata, Déborah, Bruno e Vinícius), fizemos o possível para levá-los para escaladas. Infelizmente, não conseguimos plenamente. Compromissos outros nos tomaram, Yvie acabou se lesionando no meio do processo e eu fiquei devendo algumas escaladas. Seja como for, conseguimos – e outros guias do CERJ, obviamente – gerar um bom volume de cordadas para esses alunos, de modo que fizeram um primeiro de cordada bastante bem estruturado – graças ao Marcelo ‘Magal’ Matos – e permaneceram no clube, grande parte deles já guiando bastante bem.
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| O projeto ganhou até uma logomarca, criada pela Rafa e pelo ChatGPT, com referência ao churrasco de formatura dos CBM 2025 (data de início do projeto) e à festa de Halloween (data de término do projeto). | O CBM na Pedra fez com que os alunos de 2025 ganhassem volume de escalada e fizessem até algumas vias clássicas. Na foto, Tiago Magaldi no dia em que fez seu primeiro cume do Dedo de Deus. |
Daí, em 2025, o clube já estava bem melhor das pernas, pois tínhamos ganhado a Rafaella Miranda para as nossas fileiras – surpresa mais do que bem-vinda -, Yvie tinha melhorado da sua lesão, Leandro havia voltado a escalar e guiar e os CBMs de 2024, agora com o curso de Primeiro de Cordada em mãos, estavam afoitos para levar os CBMs para escalar. Com isso, nos reunimos entre nós e decidimos montar um projetinho extra-oficial a fim de levar os CBMs e chamamos de CBM na Pedra. O grupo original que concebeu o projeto era composto por mim, além de Yvie Barcellos, W. Júnior, Thailli Conte, Rafaella Miranda, Alexandre Chevitarese e Leandro Siniscalchi.
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| Júnior, Márcia (CBM), Velho, Alexandre Chevitarese, Mariozinho e Sol na base da Agulha Guarischi. O projeto envolveu toda a comunidade CERJense e ajudou os alunos a se integrarem. | Júnior e Leandro levando as recém-formadas Manoela Dias e Márcia Marques na classiquíssima de Itacoatiara, a Luiz Arnaud. |
Assim que comentei com o Júnior, ele me disse que o Carioca fazia um projeto semelhante, que inclusive premiava os guias que mais levassem CBMs, justamente para motivá-los a não deixarem os CBMs na mão. Mas nós tínhamos uma grande diferença: os guias formados do CERJ já tinham trabalhado muito durante o CBM e provavelmente estariam mais envolvidos com seus próprios projetos pessoais; e quem estava se dispondo a levar os CBMs para escalar éramos nós, então ia ficar meio feio se propuséssemos uma premiação para nós mesmos. Então, decidimos o contrário: premiar os CBMs que mais escalassem ou, que pelo menos, cumprissem uma carga mínima de escaladas. Depois de alguma conversa, a Rafa – e o chat GPT – elaboraram as regras; eu elaborei uma planilha para controle da evolução de cada um, em que os CBMs e guias pudessem acompanhar em tempo real a sua evolução no projeto; e daí comunicamos à nossa Diretora Técnica, Carla Romão, que adotou de imediato o projeto.
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| Márcia Marques com Jana Menezes (a rainha mãe do CERJ) e Mariozinho Richard após uma cordadinha na Jorge de Castro. | Alexandre Chevitarese e Márcia (mais uma vez!) em mais uma cordada do CBM na Pedra. |
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| Tiago Magaldi com Daniel Rodriguez e Júlio Mello ao final de cordada no Perdido do Andaraí. | Carla Romão, nossa DT, que apoiou o projeto desde o início, com Tiago Magaldi e Raissa Pose em cordada no Vale da Sebastiana, na clássica Um Brinde às Mulheres Cerjenses, conquista sua e da Miriam Gerber. |
Resumidamente, o projeto duraria de junho a outubro, se encerrando junto à tradicional festa de Halloween do clube. O CBM que fizesse 12 escaladas nesse período, de no mínimo 2 enfiadas – e não, Tiago Magaldi, Pedra Gávea via Pico dos Quatro não é uma escalada! Não adianta chorar! – seria merecedor de uma premiação surpresa.
O projeto foi um sucesso! Nesse período, foram feitas mais de 60 cordadas em 41 vias diferentes, desde vias muito fáceis, como a Lagartinho e Fim do mundo, até verdadeiras clássicas da escalada nacional, como o Paredão Zezão, na Agulhinha Guarischi, e até uma Face Leste do Dedo de Deus. Mais do que isso, o projeto foi muito além do grupo inicial que montou o CBM na Pedra, envolvendo 17 guias do clube. Mas o destaque mesmo vai para o Leandro, em primeiríssimo lugar, com 10 cordadas, e para a Yvie e para a Rafa, em segundo lugar, com 8 cordadas cada.
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| Da esquerda para a direita: Raissa, Yvie, Tiago, Mundim, Júnior e Rafa. O projeto movimentou o clube e garantiu que os CBMs ganhassem volume de rocha após terminarem o curso. | Tiago Magaldi (o CBM), com Yvie e Leandro, os guias de cordada que mais colocaram CBMs na Pedra nessa primeira edição do projeto. |
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| Raissa Pose escalando a Chaminé Stop com o nosso querido Presidente Marcelo ‘Magal’ Matos. Durante o projeto, os recém-formados escalaram algumas vias clássicas. | Tiago Magaldi com Caiê no cume do Dedo de Deus, que alcançaram via Face Leste com Maria Cebola. Outra clássica para a conta do CBM na Pedra! |
Além disso, o projeto gerou uma competição saudável entre os alunos e a Thailli apareceu com a ideia de ilustrar essa competição usando aqueles cavalinhos da Rede Globo, que são usados para mostrar a tabela do Campeonato Brasileiro. Essa brincadeira foi muito bem recebida e gerou uma grande comoção no grupo de WhatsApp do clube. E, com essa competição, teve gente que se empolgou: Márcia Marques, por exemplo, no dia que escalou a Fim do Mundo, terminou a via dizendo que aquela “era muito fácil”, que tínhamos que fazer outra. E daí fomos, em seguida, na Quem viu primeiro, que é ali pertinho. Até hoje não sei se ela queria escalar ou passar na frente dos colegas!
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| Os cavalinhos bolados pela Thailli com direito a foto dos CBMs e até cartão vermelho para o Tiago por ter tentado passar despercebido uma escalaminhada como escalada. Mas o VAR atuou rápido! |
As minhas únicas ressalvas vão para dois pontos específicos: primeiro, dos 7 CBMs que se formaram, apenas três conseguiram cumprir as 12 cordadas mínimas. Fico pensando se foi algum erro da nossa parte ou se as pessoas são simplesmente diferentes e algumas não tinham mesmo um grande interesse na escalada. É algo que precisamos verificar. Em segundo lugar, acho que o projeto se esticou demais: os três primeiros meses foram bem intensos, com 10 cordadas em junho, 27 em julho e 18 em agosto. Contudo, setembro teve apenas 2 cordadas e outubro apenas 6. Logo, caso o projeto venha a acontecer de novo em 2026, é possível encurtá-lo um pouco para pegar o ápice da motivação dos alunos recém-formados.
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| Os CBMs e guias puderam acompanhar em tempo real, com direito a dashboard chique, o seu desempenho durante o projeto. Eles próprios preenchiam a planilha e nós apenas revisávamos, tornando o acompanhamento bastante dinâmico. A tabela completa está disponível para todos. |
Dado esse cenário, acho que o projeto cumpriu seu papel e que conseguimos entregar para o CERJ – e para o montanhismo em geral – alunos com mais volume de rocha e melhor preparados para encararem um futuro curso de Primeiro de Cordada.
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| Ivan Bellan no final da Henrietta Carstairs apreciando a bela vista do Rio de Janeiro no final de tarde. | Uma das últimas cordadas do CBM na Pedra de 2025! Márcia Marques, Mariozinho e eu passando um veneninho bom na Coringa. |
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| Thailli Conte com Tiago Magaldi no final da Labirintite, no Morro do Cantagalo. | Márcia Kern e Leandro na Lagartinho. |



















