Como da vez passada, nosso ponto de encontro foi no Guia Lopes (Praia Vermelha), este ano às 08:00; eu cheguei no local pouco antes da hora marcada e a maioria da turma já estava lá esperando. Os demais participantes foram chegando e finalmente às 08:40 partimos com destino à Serra assim distribuído pelos carros: Waldecy na sua Toyota com algumas mochilas da turma, no carro do Elias (Bodão) foram ainda a Gabriela, a Márcia Aranha e a Mariana; com o Rodrigo (Show) subiram a Michelle, a Karina e o Marcelo; enquanto no meu calhambeque seguiram a Patrícia, a Milena e o Wagner, a, e mais tarde o Velho Buna resolveu nos brindar com a sua presença. A viagem transcorreu sem maiores problemas e nosso primeiro ponto de encontro já na Serra foi a lanchonete Pavelca na entrada de Petrópolis aonde fizemos uma ligeira parada de 09:45 até 09:50 somente para agrupar os carros.

Até este ponto cada carro seguiu seu próprio ritmo, mas a partir daqui seguiremos em comboio seguindo o Wal pois alguns não conhecem o caminho para o bairro Santa Izabel onde iniciaremos a caminhada para o Cobiçado. Depois de atravessar a cidade paramos numa padaria do bairro Caxambu a aproximadamente 60km do nosso ponto de partida, onde ficamos de 10:15 até 10:35 para fazer um ligeiro lanche antes de seguirmos para o nosso destino final e foi neste ponto que ficamos sabendo que o nosso querido “Buneco” telefonou para o Wal dizendo que também virá para o acampamento. Prosseguindo nossa jornada às 10:45 paramos os carros num terreno de um dos moradores da localidade e depois de pedirmos autorização ali estacionamos. Como no ano passado, colocamos todas as mochilas na Toyota do Wal que subirá mais um pouco em direção ao cobiçado e nós outros já começamos a caminhada deste ponto, partindo às 11:00 ainda sem as mochilas.

De novo autorizado pelo morador, às 11:10 a Toyota do Wal foi estacionada no pátio de outra residência de onde, depois de devidamente checado todo o material das mochilas, colocamos as ditas nas costas e partimos finalmente às 11:30, sob a liderança do Waldecy, rumo ao cume do Cobiçado. Depois de andar meia hora subindo por uma estrada de terra, finalmente às 12h entramos na trilha e desta vez não temos aquela gentil senhora que no ano passado nos alertava quando enveredávamos por uma bifurcação errada, e não é que, novamente, por duas vezes pegamos bifurcações erradas como no ano passado, sendo uma repetida e outra nova mais acima, mas nas duas ocasiões nos mancamos rapidamente da desorientação momentânea e nem chegamos a perder muito tempo para retomar a trilha certa por nossos próprios meios.

Desvios corrigidos, o restante da caminhada transcorreu sem outros deslizes e depois de enfrentar um toca pra cima daqueles, que desta vez me pareceu menos cansativo que a do ano passado, pois apesar das mochilas cargueiras tão pesadas quanto as anteriores, a minha por exemplo sempre gira em torno de módico 22kg, desta feita não tivemos aquele sol inclemente nos nossos lombos, ao contrário tivemos até alguns momentos de uma leve chuvinha revezando com uma gostosa brisa para nos refrescar; é, não é mole não, mas a turma é boa e se alguns sofreram um pouco para superar aquele rampão bem íngreme, todos chegaram sãos e salvos ao cume do Cobiçado às 13:05 a 1.680m de altitude.

Deste ponto temos uma visão privilegiada das montanhas da região, daqui avistamos: a sul em primeiro plano temos o cume dos Vândalos e lá embaixo a Baia de Guanabara com os maciços da Tijuca e da Pedra Branca ao fundo, seguindo para oeste vemos a baixada fluminense a Serra do Madureira, Serra das Araras e da Mantiqueira com o pico do Congonhas sobressaindo, virando para Norte passando pelo alto do Couto onde ficam as antenas do Sindacta até avistar a Maria Comprida que domina esta parte da paisagem, seguindo para leste bem próximo vemos o Alcobaça tendo como pano de fundo a Serra dos Órgãos e aí vemos os Castelitos, os Castelos do Açu dentre outros morros por onde passa a travessia Petro x Tere e voltando ao início, temos entre outros o alto da Ventania e o Morro do Inferno voltando então ao Vândalos situado bem à nossa frente.

Ficamos no cume até 14:30, tempo que aproveitamos para nos recuperar do esforço da subida, fazer um pequeno lanche e ouvir o Wal contar algumas históriase como ainda estava bastante cedo, resolvemos partir para o cume dos Vândalos com seus 1.740m de altitude para montar o acampamento nas imediações deste. Após exatos 60 minutos de caminhada atingimos o cimo dos Vândalos às 15:30 e naturalmente neste trecho, que apesar de relativamente longo e com outras subidas, a turma parece ter sofrido menos que no anterior, certamente por já estar com o corpo bem aquecido e acostumado ao tranco.

Como já havíamos acampado no local no ano passado, desta vez não perdemos tempo procurando onde montar as barracas, um platô bem amplo e abrigado do vento, na encosta nordeste dos Vândalos, aonde nós conseguimos espaço para montar 9 barracas com facilidade e o local suportaria outras mais e imediatamente montamos o acampamento bem a tempo de nos protegermos nas barracas da ligeira chuva que desabou a seguir, e quando a mesma parou, eis que chega o nosso intrépido Buna. Desta vez não tivemos um por de sol espetacular como no ano passado, mas deu pro gasto, pelo menos já não chovia mais e o céu começava a limpar, prometendo aquela noite estrelada.

Na hora do jantar, tínhamos 3 MSR’s o que facilitou a tarefa de cozinhar e desta vez, por causa da chuva que caiu pouco tempo atrás, resolvemos que seria melhor mesmo improvisar a cozinha no espaço deixado no meio das barracas, e aí cada um preparou o que melhor lhe pareceu mais apropriado para a ocasião.
Mais tarde, enquanto os mais cansados se recolhiam, alguns de nós subimos ao cume dos Vândalos e durante o tempo em que lá estivemos papeando sob um céu estrelado, sem lua e temperatura agradável já que não ventava, rondando os 15°C, na madrugada deve ter baixado até os 12°C, tivemos o privilégio de apreciar o espetáculo das luzes das cidades ao nosso redor, desde Cachoeira de Macacú, indo em direção a Niterói, Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense e naturalmente os bairros de Magé no lado sul e de Petrópolis ao norte, ambos bem abaixo dos nossos pés; quem foi dormir sem subir até este ponto perdeu um verdadeiro show de luzes naturais do céu estrelado acima de nossas cabeças se digladiando com as da terra, artificiais oriundas das cidades plantadas abaixo dos nossos pés.

Petrópolis, domingo 15 de abril 2007.
Desta vez na madrugada não teve o ruço comum nesta época do ano por estas bandas, e a nossa alvorada se deu antes das 06:00, bem a tempo para assistirmos o nascer do sol, que hoje foi maravilhoso, mas nem todos se dispuseram a assistir ao show matinal, e enquanto estes não se levantavam, nós outros aproveitamos para fazer alguns exercícios de Yoga ou simplesmente subir mais uma vez ao cume para apreciar a paisagem matinal que aliás estava perfeita, visibilidade total de 360°, Baia de Guanabara, as Serras do Rio de janeiro e tudo mais. Quando todos finalmente saíram de suas tocas, mais uma vez nós montamos nossa cozinha comunitária entre as barracas e preparamos nosso café da manhã. Café da manhã sorvido e absorvido, a turma do CBM seguiu para a aula de orientação do (Bodão), esta excursão com a prática de orientação sela com chave de ouro o término do CBM 2007/01; a aula foi proveitosa e cumpriu o objetivo para o qual foi programada; parabéns para o Elias. Terminada a aula, desmontamos o acampamento e às 11h iniciamos nosso retorno.

Chegamos de volta ao cume do Cobiçado às 11:50 e aí permanecemos até 12h quando retomamos a caminhada que a partir deste ponto é só de descida. Até aqui, apesar de uma boa subida a turma se portou muito bem na caminhada, porém a partir deste ponto algumas das meninas diminuíram o ritmo mas nada que chegasse a atrapalhar o bom desempenho do grupo como um todo, tanto que a diferença de tempo entre os primeiros 13:35 e os últimos 13:45 a chegarem de volta na Toyota foi de apenas 10 minutos, com a turma do ano passado esta diferença foi de 50 minutos.

Às 13:50 iniciamos a volta ao estacionamento dos carros e sem mais delongas a turma seguiu para um churrasco de confraternização na porta de um boteco da região antes de voltar para o Rio.
Participantes: Waldecy Lucena (guia oficial), Elias Ribeiro Junior (Bodão) Instrutor da atividade prática de orientação, Rodrigo Molinari (Show) e José de Oliveira Barros (Zé), além do Fernando Fajardo (Buneco) agregado de última hora, como guias auxiliares e mais os seguintes alunos do
CBM: Michelle Baldini, Karina da Silva Mota, Marcelo Rousselet, Gabriela Melo, Márcia Aranha, Mariana Ferraz, Patrícia Rocha, Milena Duchiade e o Wagner Veltri Alves.

José de Oliveira Barros