A via Salomith encontra-se na parede do Morro da Babilônia, à direita da via Ricardo Prado, iniciando em um platô poucos metros acima do caminho de acesso às vias deste setor. Foi conquistada em 1971 por Carlos Mangueira, Cláudio Vieira de Castro, Giuseppe Pellegrini, Júlio César e Rodolfo Chermont, e seu nome faz referência ao montanhista do CERJ Salomith Fernandes. A via possui 140 metros e é graduada como 3° IIIsup E2 D1.
Atualmente, com a demanda de substituição de grampos de aço inox presentes ao longo da via, o corpo de guias do CERJ incumbiu esta tarefa aos seus guias em formação. Assim sendo, no sábado 30/08/2025 eu e Xandão nos encontramos às 07:45 na Praia Vermelha com a missão de: (i) avaliar a grampeação de toda a via, incluindo os grampos após a última parada, que dão acesso a um platô de mato, (ii) identificar os grampos de aço inox e (iii) substituir estes por chapeletas. Após debater sobre a tarefa, decidimos fazer a via pela linha original e rapelar pelas duas variantes, avaliando assim toda a grampeação. O tempo estava fechado e havia previsão de chuva ao meio-dia, então realizaríamos o que o clima permitisse. No momento o tempo estava agradável para prática da escalada e as vias próximas tinham cordadas presentes.
Organizamos o material na base da via, visto que Xandão faria a guiada e eu a reforma. Xandão partiu subindo pouco mais de 30 metros até a primeira parada dupla, que depois identificamos não ser a P1 mas sim uma dupla para rapel na variante dois grampos abaixo da P1. Subi tirando foto de todos os grampos para posterior avaliação. O sexto grampo da linha original da via era da aço inox, logo instalamos chapeleta a aproximadamente 15 cm de distância e próxima da linha da via. Ao retirar o grampo antigo, este se partiu com o pino dentro da pedra, sem deixar nenhuma parte metálica exposta para fora.


À esquerda, grampo antigo invertido de aço inox e, à direita, chapeleta instalada em seu lugar.

Daniel guardando a broca da furadeira para seguir com a instalação de chapeleta.
Prosseguindo, guardei o material e fui ao encontro do Xandão na parada. De lá, Xandão guiou o esticão pela linha original da via até a P2. Em seguida, subi novamente tirando fotos de todos os grampos. O grampo anterior ao da P2 era também de aço inox. Neste momento, já era visível a chuva em Niterói, e o vento soprava em direção ao Rio de Janeiro, sendo certo que a chuva viria ao nosso encontro. Eu e Xandão decidimos por substituir logo este grampo e dar por encerrado o trabalho do dia.

Daniel iniciando a instalação de chapeleta. Ao fundo, a chuva cai sob a Baía de Guanabara.
Os primeiros pingos de chuva no alcançaram logo após a instalação da chapeleta e, em um instante, estávamos debaixo de forte chuva com as primeiras marretadas no grampo antigo. As cordadas ao redor faziam seus rapéis. A parede toda escorria e nós rapidamente estávamos encharcados. O grampo não apresentava muita resistência, então não deixaríamos o trabalho incompleto. O cuidado exigiu algum tempo, em compensação o grampo dava voltas completas. Talvez a água que penetrava no furo tenha ajudado, e com alguns puxões o grampo saiu inteiro.

Chapeleta instalada em substituição ao segundo grampo de inox identificado.
Em algumas partes da parede escorriam rios de água. Uma cordada ainda terminava seu rapel, creio que na via Entropia. Fazia frio com o vento e a roupa encharcada. Xandão avaliou as linhas das vias e decidiu por rapelarmos pela via proibida, pois de onde estávamos esta exigia menos deslocamento horizontal. Atentos aos procedimentos, fizemos com calma os quatro rapéis necessários para chegarmos à base das vias. Nos abrigamos nas escadas do bondinho onde organizamos o material e as vestimentas, encerrando assim a atividade do dia.

Grampos de aço inox substituídos na reforma relatada.

