Guia prático para a compra do kit básico de escalada
Junho de 2025
Por: Igor Costa
Revisado por: Thailli Conte, Waldir Junior e Carla Romão
Introdução
O kit básico de escalada, informalmente conhecido como “Kit Aba”, é o conjunto de equipamentos individuais necessários para o início da prática do esporte na posição de “participante” ou “segundo de cordada”. Os itens desse kit não precisam ser todos adquiridos de imediato pelo aluno ou aluna. Contudo, na medida em que avança em seu curso, ele ou ela sentirá cada vez mais falta de ter os seus próprios equipamentos, sobretudo porque os itens que compõem esse kit são de uso individual. Esse kit é composto pelos seguintes itens:
- Baudrier (ou cadeirinha)
- Sapatilha de escalada
- Capacete de escalada
- Solteira
- Freio tubular
- 03 Mosquetões de rosca (1 do tipo HMS – ou pêra – para o freio, 1 do tipo D para a solteira e 1 do tipo D para o backup do rapel)
- 02 cordeletes certificados de 5mm com cerca de 130 cm (normalmente atados em anel por nós do tipo pescador duplo.)
Os itens acima são todos de uso individual e não devem ser compartilhados com terceiros.
Baudrier (ou cadeirinha)
A cadeirinha é o equipamento de escalada que o escalador ou escaladora veste e ao qual a corda será atada. É esse equipamento, portanto, que, em caso de queda, junto aos demais, garantirá a segurança da cordada.
As cadeirinhas de escalada são equipamentos especializados e certificados e devem ter tamanho adequado ao corpo do escalador ou escaladora (nem muito apertadas e nem muito frouxas), sob risco de gerar problemas de segurança tanto para o guia quanto para o participante. Logo, ao comprar sua cadeirinha, verifique o ajuste do equipamento ao seu corpo.
Além disso, as cadeirinhas de escalada têm partes específicas: duas alças principais; um loop preso a estas alças; racks laterais e traseiros para o porte de equipamentos (costuras, freios, mosquetões, etc.); regulagem de aperto na cintura e, opcionalmente, nas pernas. Não confunda as cadeirinhas de escalada com as cadeirinhas de outros esportes ou aquelas voltadas para a área industrial. Há, por exemplo, cadeirinhas sem loop ou com as alças duplas costuradas entre si. Usar esse tipo de equipamento impróprio para a escalada pode colocar a cordada em risco. Certifique-se, portanto, de estar comprando o equipamento adequado.
Se possível, experimente a cadeirinha antes de comprá-la, visto que determinados ajustes podem não ser simples de perceber. Por vezes, determinados modelos se ajustam bem na cintura, mas ficam apertados nas coxas, por exemplo; ou se ajustam bem às coxas, mas ficam apertados na cintura. Há, ainda, fabricantes que produzem cadeirinhas específicas para o corpo feminino e masculino, visto que a proporção cintura-quadril-coxas pode, em média, variar entre esses grupos.
Sapatilha de escalada
As sapatilhas de escalada são sapatos especializados, com solado de uma borracha extremamente aderente, usados para o contato dos pés do escalador ou da escaladora na pedra. As sapatilhas precisam ser muito bem ajustadas aos pés, visto que é preciso transferir o peso para os pés de modo a se manter estável na pedra.
Há várias marcas, modelos, formatos e materiais das sapatilhas. Contudo, para um kit básico, recomenda-se a aquisição de uma sapatilha “para todo terreno”, ou seja, sapatilhas versáteis, que permitirão ao escalador ou escaladora encarar vias de agarras, de aderência, chaminés, diedros, etc. Além disso, essas sapatilhas são, em geral, mais confortáveis para os pés, permitindo ficar calçado por muitas horas (em geral, sapatilhas muito técnicas são muito desconfortáveis e é preciso “aprender” a conviver com a dor que elas causam. E, mesmo assim, os escaladores ou escaladoras costumam tirá-las dos pés a cada enfiada de corda).
Na medida em que for adquirindo mais experiência, o escalador ou escaladora poderá então avaliar melhor se precisa incluir na sua lista de equipamentos uma sapatilha mais técnica para pequenas agarras, por exemplo; ou uma com solado extremamente macio e aderente para vias de aderências. No início, porém, o melhor é ter uma sapatilha “para todo terreno”, como aquelas da lista abaixo:
- Five Ten Rogue (Modelos em cadarço e em velcro, masculina e feminina)
- Simond Climb V2
- La Sportiva Mythos (apenas modelo com cadarço)
- dentre outras.
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| Pedro “Pow” Aragão entrando em uma lance de VI grau com sua clássica La Sportiva Mythos. Face Norte do Morro da Urca. |
Outro aspecto importante na escolha da sapatilha diz respeito ao seu ajuste nos pés. As sapatilhas precisam ser muito justas a fim de garantir melhor precisão. Via de regra, o número da sapatilha é do mesmo número do seu tênis de caminhada ou menor. Para muitos escaladores e escaladoras, até um ou dois números menor. Em outras palavras, se você calça 40, o número da sapatilha pode ser desse número (40), 39 ou 38. Há, contudo, atletas mais técnicos que selecionam sapatilhas até 4 números menor, ou seja, alguém que calça 40 usando uma sapatilha de número 36. O que é extremamente raro – talvez até inexistente – é uma sapatilha maior do que a numeração do tênis de caminhada.
Para os iniciantes, porém, recomendamos, sempre, provar uma sapatilha do seu número e, se ela ficar larga, daí sim reduzir um número e avaliar. As sapatilhas, em geral, são apertadas e causam desconforto. Você precisará se acostumar com esse incômodo. Contudo, se ela estiver apertada demais, causará dor a tal ponto de fazê-lo perder a força nos pés. Nesse caso, será preciso adquirir uma sapatilha meio ou um número maior.
Lembre-se, também, que alguns modelos de sapatilha “laceiam” com o tempo, ou seja, se alargam levemente, ficando mais confortáveis – e ainda úteis – em alguns casos; e frouxas – e inúteis para escalada – em outros. Isso também deve ser considerado na compra de uma sapatilha nova. Logo, vale a pena conversar com escaladores e escaladoras mais experientes sobre se vale a pena ou não comprar um número muito menor ou não.
Capacete de escalada
Um capacete de escalada é um equipamento fundamental para a segurança do escalador ou escaladora, visto que não só impede o contato da sua cabeça com a rocha em caso de queda, mas também evita que rochas e equipamentos que, porventura, caiam da parede acertem a sua cabeça (há relatos, inclusive, de uma escaladora que foi acertada na cabeça por um peixe enquanto escalava o Morro da Babilônia, provavelmente despencando do bico de uma gaivota ou fragata mais desatenta).
Há diversos modelos no mercado, diferenciados pelo peso, material e também tamanho. Verifique, portanto, se o capacete é adequado para você e se não fica desconfortável, nem muito apertado e nem muito bambo, caindo para os lados ou cobrindo as vistas quando você se movimenta. Isso pode prejudicar em muito a sua prática de escalada.
Os capacetes de escalada também podem ter variados graus de peso e de aberturas para a ventilação, aspectos que influenciam em muito no conforto do escalador ou escaladora. Isso, contudo, não diminui sua eficácia no quesito segurança.
Solteira
Uma solteira é um cabo que faz a conexão individual do escalador e da escaladora com a rocha, ou seja, é uma linha de vida ou conexão primária. No passado, as solteiras eram feitas com uma fita tubular atada por um nó de fita e ligada à cadeirinha por um nó boca de lobo. Atualmente, contudo, popularizaram-se as solteiras industriais, vendidas em lojas especializadas especificamente para esse papel. Há alguns tipos de solteiras mais comuns no mercado:
- Solteiras do tipo multichain: multichain é um tipo de solteira em que vários anéis de fita tubular são conectados entre si, criando uma “corrente” usada para regular o ajuste da solteira. Há diversos modelos de várias marcas e materiais disponíveis no mercado, inclusive marcas nacionais.
⚠️ Ao comprar sua solteira, não confunda uma multichain com uma daisychain. Uma multichain é um sistema de ancoragem individual, ou seja, é de fato uma solteira. Uma daisychain é um equipamento para escalada em artificial e não uma solteira. Escaladores experientes eventualmente usam daisychains como solteiras, mas essa prática, se realizada indevidamente, pode inclusive levar à morte do escalador ou escaladora. Os próprios fabricantes desses equipamentos não recomendam esse uso, como o faz a Black Diamond nesta matéria. - Solteiras de corda com costura industrial (sem regulagem): Outro tipo de solteira vendido no mercado são aquelas feitas com cordas dinâmicas, mas sem regulagem. Em geral essas solteiras têm duas “pontas” de tamanhos distintos (mas há também as que têm apenas uma ponta), às quais são acoplados mosquetões de rosca. Nesse tipo de equipamento, a regulagem do tamanho da solteira é feito (i) ou trocando de ponta que é ancorada (ancorar-se com a ponta menor a deixa mais curta e com a maior, mais longa); ou fazendo um nó como o fiel ou borboleta alpina no meio da ponta maior, ao qual é acoplado um novo mosquetão, permitindo então a redução. Esse tipo de solteira, devido a essa complicação na regulagem, não é das mais populares. O fato de ela ter duas pontas, porém, facilita bastante o rapel estendido, já que o freio pode ser montado na ponta menor sem maiores complicações. A loja Decathlon vende os modelos chamados La Vache e La Vache Dupla, da marca Simond, que é desse tipo.
- Solteiras de corda com costura industrial (com regulagem): Um terceiro tipo de solteira são as de corda dinâmica com sistema de regulagem, como as do modelo Connect Adjust, da Petzl; e Expresso Fit, da Beal, que vêm tanto com o modelo de duas pontas quanto com o de uma única ponta. O ajuste da distância do escalador, nesses casos, é feito de maneira bem mais simples, devido a um pequeno “freio” na ponta maior que permite a regulagem. Devido à sua praticidade, essas solteiras têm se tornado cada vez mais populares. Nelas, o rapel também é bem simples: na de ponta dupla, o freio é montado na ponta menor sem complicações; na de ponta simples, o escalador simplesmente faz um nó no meio da alça, como uma borboleta alpina ou um fiel, e monta o seu rapel. O modelo da Beal tem, ainda, uma alça em dyneema que permite a montagem do rapel sem a necessidade de dar um nó no meio da solteira.
Há ainda as solteiras “artesanais”, ou seja, fabricadas pelos próprios escaladores com fitas tubulares, de dyneema, cordelete ou cordas. Essas não são recomendadas para iniciantes e não serão discutidas aqui.
Freio tubular
Um freio tubular, normalmente chamado de freio ATC, é um equipamento usado pelos membros da cordada para impedir que o parceiro ou parceira que está escalando (seja ele o guia ou o participante), ao cair, despenque montanha abaixo. Em outras palavras, é esse equipamento que garante a segurança dos escaladores e escaladoras, literalmente salvando-lhes a vida.
Os freios tubulares podem ser de várias marcas e modelos, mas há dois tipos fundamentais que precisam ser discutidos:
- Freio tubular simples: o freio tubular simples é um equipamento que permite dar segurança apenas de um único modo, prendendo-o, por meio de um mosquetão, à cadeirinha. Nesse caso, a força da mão de quem faz a segurança, aliada ao atrito do freio, garante o travamento da queda. É um freio interessante para quem não tem pretensões de se tornar guia de cordada.
- Freio tubular com modo “guide”: o freio tubular com modo “guide” é um equipamento que permite dar segurança de dois modos diferentes: como o freio simples e, também, quando se faz a segurança de cima, para o participante, no modo semiautomático de travamento. Isso ocorre porque esse tipo de freio tem uma alça extra que permite ao guia passar um outro mosquetão e conectá-lo direto na parada. É um freio interessante para todos aqueles que desejam se tornar guias de cordada.
Marcas e modelos mais comuns:
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| Um freio ATC comum, sem modo “guide”, ou seja, sem a alça superior que permite a esse equipamento dar segurança no modo semiautomático de travamento (Foto 3), preso à parada. Ele permite, contudo, dar segurança tanto para o guia quanto para o participante. Nesse caso, preso ao loop da cadeirinha e com uma costura direcionando a corda na parada. | Um freio ATC com modo “guide”, no caso, o modelo Wall Alpine, da Mammut. No cenário da foto, está sendo usado para dar segurança para o guia. A mão-freio, aquela que não pode nunca sair da corda, não aparece na foto. | Freio ATC “Guide”, no caso o modelo Reverso, da Petzl, preso à parada para dar segurança para o participante no modo semiautomático de travamento. | Freio do modelo Grigri 2, da Petzl, montado direto na parada para dar segurança para o participante. Esses e outros modelos são muito úteis em condições específicas, mas têm suas limitações. No caso do Grigri, por exemplo, não é possível rapelar com ele em corda dupla, um dos motivos pelos quais não é dos equipamentos preferidos pelos escaladores de vias tradicionais. |
Há freios de outros tipos e marcas no mercado, com sistemas de travamento diferentes ou com variações do freio tubular. Freios como o Petzl Grigri (adorado pelos escaladores de vias esportivas) e o Edelrid Megajul (que pode ser colocado no modo semiautomático também na segurança para o guia) são opções bem consolidadas no mercado. Existem, ainda, os freios do tipo placa, como o Gigi, da Kong (não confundir com o Grigri, da Petzl, equipamentos totalmente diferentes!), que são muito versáteis e baratos. Contudo, são equipamentos que dependem de o escalador saber usar um freio tubular comum. Recomenda-se, portanto, que o aluno comece com um freio tubular simples ou guide, como descrito acima.
Mosquetões
Para o seu kit básico, são necessários apenas três mosquetões de rosca, sendo um deles do tipo HMS, que será usado junto ao freio ATC para dar segurança. Os outros dois, um para a solteira e outro para o backup do rapel, podem ser do tipo D. Caso o aluno deseje, e ele esteja utilizando uma solteira do tipo multichain, pode também ter um quarto mosquetão, usado exclusivamente para a redução da solteira.
Há várias marcas e modelos de mosquetão no mercado, mas eles precisam ser certificados para escalada para poderem ser usados, sob o risco de colocar a vida dos membros da cordada em risco. O escalador ou escaladora deve ainda verificar um aspecto técnico importante: o tipo de trava do gatilho.
Tipos de travas
- Mosquetões sem trava: Mosquetões sem trava são aqueles que não dispõem de nenhum elemento extra para garantir que o gatilho permaneça fechado. Em geral são mais leves. Contudo, não são recomendados para uso em tarefas que envolvam a segurança direta da cordada, como para o freio, o backup do rapel, a montagem da parada, etc. Em outras palavras, se a vida do escalador depende de o mosquetão não abrir, ele deve ter algum mecanismo de travamento que garanta o seu fechamento.
- Mosquetões com trava de rosca: Esse tipo de mosquetão possui uma rosca que garante o fechamento do gatilho, impedindo-o de se abrir acidentalmente. É o mosquetão exigido para a montagem do freio no loop da cadeirinha e também para o backup do rapel. Os mosquetões iniciais adquiridos para o kit básico devem ser desse tipo, sejam eles do tipo HMS ou do tipo D.
- Mosquetões com trava automática: Mosquetões com trava automática (duplas ou triplas) apresentam um mecanismo de fechamento do gatilho que não depende da intervenção do escalador. Em outras palavras, a posição natural desse mosquetão é fechado. Em geral são mais pesados e de difícil manuseio para a abertura, não sendo recomendados para tarefas que demandam abrir e fechar o mosquetão constantemente, como é o caso da montagem do freio, redução da solteira e backup do rapel. Podem ser úteis, no entanto, para situações em que precisam ficar fechados e não serão abertos com frequência, como mosquetão-mãe da parada, sobretudo em situações de top rope. Não são recomendados para o kit básico.
Cordeletes
O cordelete é um material feito de nylon, estático, utilizado principalmente no rapel, para a montagem do backup. É com esse equipamento que se faz o nó autoblocante. Além dessa função, é fundamental para os procedimentos de ascenção em corda fixa, caso em que são necessários dois cordeletes.
Em geral, os alunos e alunas recebem dois cordeletes no início de seu Curso Básico e acabam tendo, além da utilidade prática, valor simbólico para eles, que guardam esse equipamento por décadas, mesmo que já tenham perdido sua validade prática devido ao desgaste do material.
Os cordeletes podem ser comprados por metro, e o anel de cordelete é confeccionado atando as pontas com um pescador duplo. Existem, ainda, modelos de cordelete com a emenda pronta, feita com costura industrial, que podem ser adquiridos em lojas especializadas.
Ao comprar o seu cordelete, observe a sua espessura, pois quanto menor a sua diferença de diâmetro para a corda em que será atado, menor será o poder de trava que terá. Em geral, esses cordeletes do kit básico têm 5 ou 6mm. O de 4mm suporta pouco peso para uma tarefa como garantir o backup do rapel; e o de 7mm já é muito grosso para travar adequadamente sem muitas voltas no nó autoblocante.
Sobre equipamentos usados
Equipamentos de escalada são produtos que envolvem a segurança dos membros da cordada. Logo, em geral, é importante que quem está comprando tenha garantia da procedência desse material, afinal é a sua vida e a de seus amigos/parceiros que está em jogo.
Sendo assim, não é recomendada a compra de alguns equipamentos usados de pessoas não conhecidas e/ou de procedência incerta, como em bazares online, por exemplo. Isso vale sobretudo para produtos não metálicos, como cordas, cordeletes, fitas, solteiras, etc, principalmente se eles fizerem a linha de segurança primária do escalador, como cordas e solteiras.
Há, ainda, os produtos que podem ser comprados usados, desde que seja feita uma inspeção da sua qualidade por alguém qualificado – procure sempre os guias do clube para te auxiliarem nessa tarefa. Os mosquetões, os freios tubulares e os capacetes, por exemplo, são produtos bastante resistentes e mesmo após muitos anos de uso ainda podem ser usados com segurança. E muitas pessoas os vendem porque estão já velhos ou gastos ou não mais lhes agrada esteticamente.
Há, por fim, os produtos que não envolvem a segurança, como as sapatilhas. Nesse caso, não há qualquer problema em comprá-las usadas, visto que a vida do escalador não estará em risco se ela estiver com algum defeito imperceptível.
Mochilas de escalada
Agora que você já tem uma ideia de quais equipamentos são importantes para o início da sua jornada na escalada, você precisará de um equipamento para carregar isso tudo até a base das vias e que te acompanhará, bem coladinha no seu corpo, durante os perrengues na pedra.
No início, muitos usam mochilas comuns que já têm em casa, principalmente alguma mais surradinha, que foi parceira na escola ou no trabalho, por exemplo. Contudo, à medida que o tempo passa, você sentirá falta de uma mochila de escalada ou pelo menos uma mochila de trekking menor que possa desempenhar esse papel.
As mochilas de escalada podem variar de tamanho, mas, para escaladores iniciantes, aquelas com cerca de 20/25 litros já são mais do que suficientes. Essas mochilas em geral têm um compartimento especial para o capacete – geralmente acoplado do lado externo, de maneira firme, por uma rede elástica removível -; e também dispõem de alças e fitas extras específicas para que se pendurem certos equipamentos, como os racks da cadeirinha, onde fica mais fácil prender costuras e equipamentos móveis, como friends e nuts. Essas mochilas têm, ainda, fitas especiais para se prender a corda de maneira segura do lado de fora, caso o escalador não queira carregá-la por dentro do equipamento.
A marca Simond, por exemplo, tem uma mochila chamada Rock+, de 20 litros, feita especialmente para escalada. A marca Petzl, por sua vez, tem uma mochilinha de 18 litros, chamada Bug, que marca bastante presença nas paredes cariocas. Ambas, apesar de excelentes para escaladas do dia a dia, podem ser pequenas demais para aventuras mais longas.
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| Igor Costa com sua mochila Rock+, de 20 litros, em frente à Pedra do Osso, no Parque da Pedra Branca. Como o capacete fica acomodado na tela externa, nessa foto há, dentro da mochila, uma corda de 60m, algumas costuras, estribos para o artificial e uma bolsa de hidratação de 3 litros. | Carla Romão com sua inseparável mochila Santiago, de 32 litros, da Alto Estilo, observando os Dois Bicos de Teresópolis. Na foto em questão, a mochila leva um kit completo de guiada e água e lanche para escalada na Pedra da Sebastiana. | Philipp Moritz com sua mochila da Equinox, a Grande Leste, escalando no Morro dos Cabritos, no Rio de Janeiro. A mochila tem um bolso externo para acomodar o capacete e, segundo ele, é resistente e confortável enquanto está na pedra. Observe, por exemplo, a distância entre o saco de magnésio e o fundo da mochila. |
Se você precisa de algo um pouco maior, a fabricante carioca Equinox tem uma clássica mochila de escalada que já foi a queridinha dos escaladores do Estado: a Grande Leste, de 25 litros, muito exaltada pela durabilidade e resistência dos materiais.
Outras fabricantes também têm suas linhas de mochilas especializadas na área. E há ainda mochilas de trekking que são usadas como mochilas de escalada, sobretudo por quem precisa de mais espaço para aventuras mais longas e/ou gosta de garantir que todos os equipamentos, corda e capacete inclusos, fiquem bem protegidos dentro da bolsa.
Nessa linha, a Alto Estilo, outra fabricante brasileira, tem uma mochila de trekking para aqueles que precisam de muito espaço de armazenamento: o modelo Três Picos, de 45 litros, que é bastante útil para escaladores. E a Conquista Montanhismo recentemente trouxe ao mercado a mochila Alpina Ultralight, em dois modelos: 38 + 10 litros; e 50 + 10 litros, que têm recebido boa aceitação pela comunidade.
Como sempre, vale lembrar que uma excelente maneira de descobrir se o equipamento é adequado para suas necessidades é conversando com pessoas que já os tenham usado.



















